Agência Estado
De Brasília
A operação combinada pelos governadores em Curitiba, que resultou na reunião de terça-feira com o presidente Fernando Henrique Cardoso, tinha um objetivo específico, frustrado antes mesmo do encontro: colocar dinheiro em caixa. A reivindicação principal era a antecipação, para este ano, de R$ 400 milhões para compensar as perdas com a Lei Kandir.
As demais questões diziam mais respeito ao Congresso que ao Executivo, mas ainda assim foram divulgadas de forma distorcida, embaladas em clima de conspiração contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas, em nenhum momento, na conferência de Curitiba, houve essa vinculação. Reconheceu-se o acordo técnico entre secretários de Fazenda e o ministro Pedro Parente e decidiu-se uma cartada política para conseguir dinheiro.
A falta de união dos governadores na divulgação do encontro proporcionou versões desencontradas. Eles criticaram a Lei de Responsabilidade Fiscal por considerá-la flexível demais. Também não houve clima de rebelião. Assim, de erro em erro, os governadores entraram no gabinete enfraquecidos por versões segundo as quais estariam dispostos a boicotar a tramitação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
FHC soube aproveitar-se do constrangimento, negou a antecipação e estabeleceu que em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal só aceitaria mudanças para torná-la mais rigorosa. Direcionou a discussão para o ponto de consenso – a Lei de Responsabilidade Fiscal, o que menos interessava aos governadores discutir.