Brasília - Descontentes com questões pontuais e com o clima de tensão social no país, os governadores vão se reunir no dia 26, em Brasília, para cobrar do governo, entre outras coisas, metas para a reforma agrária, dinheiro para a segurança pública e ações para estimular o crescimento econômico.
Ao se reunir ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para avisá-lo do encontro do dia 26, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), foi claro no recado em relação às tensões sociais: ''As manifestações não me preocupam tanto, até porque o governo deve ceder ao bom senso e não a manifestações'', disse após o encontro com o presidente.
O país enfrenta uma série de manifestações, conflitos e invasões que geram tensões sociais, como: invasões de fazendas promovidas por sem-terra no campo e de prédios por sem-teto na cidade principalmente em São Paulo; conflitos entre garimpeiros e índios com 29 mortos em Rondônia; protesto dos índios no Congresso por demarcação de terras; greve marcada pelos servidores descontentes com o anúncio do reajuste salarial e conflitos entre traficantes e policiais no Rio de Janeiro.
A pauta da reunião dos governadores ainda não está fechada, mas pelo menos três pontos já foram definidos: 1) um pedido coletivo de liberação das verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública; 2) projeto para reforma agrária; e 3) mais ousadia na política econômica, especialmente no que se refere à redução da taxa básica de juros, hoje em 16% ao ano. ''É fundamental que sejamos mais ousados em relação as taxas de juros para restabelecer no país o clima de crescimento econômico'', disse o governador.
Segundo Aécio, os governadores irão fechar propostas consensuais pelo menos sobre esses três pontos para entregar ao presidente Lula a título de sugestão. Lula se reuniu com os governadores por cinco vezes desde o início de governo. Essa é a primeira reunião em que a participação de Lula não está prevista.
Para Aécio, o governo não precisa temer o encontro. ''O presidente não precisa ter medo dos governadores. O governo tem nos governadores aliados fundamentais, mas é preciso também que o governo seja aliado dos Estados'', disse Aécio, traduzindo o principal pleito dos colegas, que é a liberação de recursos previstos no Orçamento da União.
Depois de uma audiência de uma hora e meia, Aécio saiu do gabinete de Lula dizendo que, apesar das manifestações de servidores públicos, de sem-terra, de sem-teto e ainda de índios, o presidente está ''sereno''.

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