A um ano da eleição, os governos dos Estados saem em busca do tempo perdido e começam a acelerar o ritmo de inaugurações. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o governador Antonio Britto (PMDB) planeja gastar R$ 664 milhões em obras até dezembro. A maior parte dos investimentos será destinado para a construção e recuperação de estradas e saneamento. Paulo Souto (PFL) já usa 15% da arrecadação da Bahia para tocar projetos nas áreas de educação, reforma do centro histórico e agricultura.
Em 1996, Souto gastou em obras mais de R$ 650 milhões e, neste ano, terá um reforço de caixa porque conseguiu um ótimo preço na venda da Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba) - R$ 1,54 bilhão. As finanças saneadas e as obras beneficiam o PFL. O governador ainda não sabe se será candidato à reeleição, pois o deputado federal Luis Eduardo Magalhães aparece como concorrente nato. Em todo caso, Souto não perde uma inauguração. Nas mais importantes, no entanto, quase sempre estão o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, e seu filho Luís Eduardo.
Entre julho e agosto, o governador inaugurou obras de saneamento em Ilhéus, 37 escolas no município de Pedro Alexandre, participou do inicio da colheita da safra de feijão em Irecê e do lançamento do programa de construção de escolas em assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). Além disso, assinou convênio com a Caixa Econômica Federal para financiar quase 4 mil imóveis para os servidores públicos.
‘‘Em saneamento, no período 1997-1998, a previsão de gastos, incluindo empréstimos internacionais, é de R$ 400 milhões’’, revela o secretário de Planejamento do Rio Grande do Sul, João Carlos Brum Torres. O Estado também é sócio minoritário em obras federais pesadas. Uma delas é a Ponte São Borja-Santo Tomé, que ligará o Brasil à Argentina. A inauguração está prevista para fevereiro.
Para divulgar suas ações administrativas, o governo gaúcho investirá R$ 40 milhões em propaganda até o final do ano. Uma das peças publicitárias destacará o empréstimo favorecido à General Motors em troca da instalação de uma montadora - R$ 253 milhões a serem pagos em 15 anos, com cinco de carência e juros de 6% ao ano. A cifra é contestada pelo líder do PT na Assembléia Legislativa, Flávio Koutzii. Ele sustenta que, incluídas todas as vantagens - como as isenções - a GM custará R$ 2 bilhões ao Estado.
No caso do governo Azeredo, o carro-chefe das obras é a duplicação do trecho mineiro da rodovia Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo. A primeira etapa da obra, iniciada ainda na gestão do antecessor Hélio Garcia (PTB) é um trecho de 217 quilômetros, que deve estar pronto em outubro e custou US$ 240 milhões - com recursos do Banco Mundial (50%) e contrapartidas de Minas, de São Paulo e da União. As obras da segunda etapa começam em setembro, com a conclusão prevista para o final de 1998. O gasto estimado é de R$ 300 milhões.
Nas regiões Norte e Nordeste do Estado, o governo, por meio da Companhia de Saneamento de Minas (Copasa), tem hoje cerca de 500 mini-barragens em construção. As primeiras 70 foram inauguradas no início de agosto, com a participação do governador. Também foram entregues quatro obras de reestruturação do sistema penitenciário. Em propagandas nas rádios, jornais e televisões, o governo estadual ressalta também os avanços obtidos na área de Educação que, neste ano, estaria recebendo R$ 2,32 bilhões - ou 45% da verba orçamentária disponível para as despesas correntes.
A maioria das grandes obras do governo Miguel Arraes (PSB) serão inauguradas no primeiro semestre de 1988. O cronograma só pode ser levado adiante por causa dos recursos obtidos com a venda de Títulos Públicos para pagamento de precatórios. O maior desses empreendimentos é a conclusão do Porto de Suape, no Litoral Sul, que vai se transformar no mais importante porto de cabotagem da América Latina, com capacidade para receber navios de até 150 mil toneladas.
‘‘Sem o dinheiro dos precatórios o Governo não teria podido honrar as contrapartidas de convênios com instituições financeiras e governamentais’’, afirma o secretário estadual de Imprensa, Jair Pereira. Pernambuco ganhou R$ 408 milhões com a operação e terminou como alvo da CPI do Senado. Com um investimento de cerca de R$ 100 milhões, Arraes levou energia elétrica a 50 mil propriedades rurais. Outra iniciativa alardeada pelo governo de Pernambuco: 80% dos 187 municípios do Estado já foram beneficiados com abastecimento d’água ou saneamento.

mockup