Governadores exigirão que União compense as perdas com o PAC
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Ana Paula Scinocca<br> Agência Estado 
Brasília - A realização de obras de infra-estrutura consideradas prioritárias nos Estados - sobretudo na área de transportes - e compensações para uma perda de receita estimada em cerca de R$ 627 milhões serão as principais reivindicações dos 27 governadores no encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcado para 6 de março. Já na segunda-feira haverá uma reunião em Brasília com a presença de pelo menos um governador de cada região na qual serão definidos os pontos considerados ''vitais'' para adesão ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas não vai ser só.
Os governadores começaram a desenhar uma pauta comum para ser entregue ao presidente e na qual a queixa número um é em relação ao compartilhamento das contribuições, seguida por renegociação da dívida dos Estados, quase uma unanimidade entre os governadores.
''A reunião de segunda vai muito além do PAC, que tem problemas, nos preocupa mas também tem pontos positivos'', afirmou o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), escolhido coordenador da região Centro-Oeste. ''A idéia é a de sairmos da reunião de segunda com uma pauta nacional, dos 27 Estados.''
Além dele, foram escolhidos coordenadores os governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), representando o Sudeste; Marcelo Déda (PT-SE) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), pelo Nordeste. Eduardo Braga (PMDB-AM), pela região Norte e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) e Yeda Crusius (PSDB-RS), como coordenadores do Sul.
No caso do PAC, em geral, a principal queixa dos governadores é em relação à falta de recursos no programa de Lula em trechos de rodovias, como é o caso de Minas Gerais, obras no Porto de Sepetiba e a construção do Arco Rodoviário, demanda do Rio de Janeiro, e ausência de investimentos para o complexo portuário Barra do Riacho, reclamação do Espírito Santo.
No caso do Rio Grande do Sul, onde o agronegócio é uma das principais atividades econômicas, há preocupação não apenas com obras de infra-estrutura, como a ampliação do trem metropolitano - não mencionada no PAC - mas principalmente com o impacto das desonerações no caixa do Estado.
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), criticou o fato de o programa de Lula não ter sido feito tendo em vista ''compartilhamento maior dos investimentos, uma discussão mais aprofundada com os Estados para que as prioridades fossem acopladas''.
Ao observar que as regiões Norte e Noroeste do Estado estão prejudicadas com o PAC, além de o programa ''esquecer'' os vales do Jequitinhonha e Mucuri, salientou que falta ao Brasil ''orçamentos estaduais em sintonia com o orçamento federal''. O governador tucano também reclamou da falta de recursos para o metrô de Belo Horizonte e para o aeroporto de Confins.
No Rio de Janeiro, além da preocupação com a ausência de investimentos previstos para o Porto de Sepetiba e a construção do Arco Rodoviário, o governador Sérgio Cabral (PMDB) já aviou que vai colocar seus secretários para trabalhar em busca de recursos para projetos essenciais para o Estado, como a linha 3 do Metrô e a Usina Nuclear de Angra 3.


