Governadores engrossam time de opositores
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sábado, 04 de novembro de 2006
Carlos Marchi<br> Agência Estado 
São Paulo - A oposição parlamentar ao governo Luiz Inácio Lula da Silva terá forte influência dos governadores recém-eleitos pelo PSDB, todos eles de longa vivência congressual, à frente José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). Essa influência deve agir, também, no redesenho do PSDB e na implantação, nos Estados tucanos, de gestões que funcionem como contraponto ao governo Lula, para mostrar à sociedade o modelo tucano de formular políticas e de governar. A dupla Aécio-Serra abre uma perspectiva de ação congressual e dá pragmatismo ao diálogo com o governo, diz o deputado Nárcio Rodrigues (MG), porta-voz de Aécio, que, no início da semana, teve longa conversa com Serra, em São Paulo. A convivência de Serra e Aécio vai ser muito boa, aposta o deputado Jutahy Júnior (BA), ligado a Serra. Para ambos, a oposição ao governo Lula tem de ser programática, expressão que explica o confronto político com os governos estaduais tucanos à frente.
Serra e Aécio já orientaram seus grupos, em pronunciamentos feitos depois do segundo turno. Eles pretendem fazer uma permanente e saudável competição de políticas e gestões com o governo Lula, sem afogueados tiroteios verbais, num cenário para mostrar à sociedade brasileira quem planeja e governa melhor. Esta semana, após conversar com Serra e o ex-presidente Fernando Henrique, o senador Tasso Jereissati, presidente do PSDB, definiu que a convivência com o governo será via governadores, num reforço ao papel dos governadores. O governo manda os projetos e nós discutimos. Nada, pois, de pacotes de apoio prévio.
Mas o estado de espírito que anima os outros dois partidos da aliança recém-derrotada por Lula é muito mais hostil. O PFL, mais que todos, está pintado para uma interminável guerra contra petistas de qualquer tribo. Não tem convivência possível. Não confiamos no presidente, antecipa o deputado José Carlos Aleluia (BA), líder do PFL na Câmara. Se Lula convidar a oposição para um diálogo, o PFL não atravessa a rua (do Congresso ao Palácio do Planalto), disse, reprisando o senador Jorge Bornhausen (SC), presidente do partido.
Aleluia admite que os seis governadores do PSDB e o único do PFL possam ter um diálogo administrativo com Lula, mas o papo acaba aí. E insiste: os contatos políticos entre partidos devem ser feitos dentro do parlamento. Mesmo assim, desconfia: Temos de estar atentos para não permitir que o governo use a oposição, dividindo o apoio a projetos impopulares, diz.
Essa advertência também está na ponta da língua de Tasso, que a colocou na lista de suas prioridades a oposição até pode colaborar com votos para aprovar projetos impopulares, mas não vai dar sua chancela antecipada como fez no primeiro mandato de Lula, no caso da reforma da Previdência para aliviar o ônus do PT.
O presidente do PPS, deputado Roberto Freire, também acha que o diálogo da oposição com o governo tem de se dar no Congresso, mas diz que não há como recusar um eventual convite de Lula para conversar. Não se pode recusar o convite de um presidente, pondera. Ele quer propor a formação de um bloco parlamentar contra o governo, a quem imputa supostos vislumbres golpistas.
Chavismo na cara Freire lembra que Lula se negou a assinar o compromisso de que não convocaria uma Constituinte. O risco de chavismo está na cara, denuncia. Ele reclama, também, que o governo impôs o primeiro obstáculo às conversas com a oposição quando petistas voltaram a atacar a imprensa. Vamos ter grandes dificuldades, preconiza.
Os que admitem conversar, no entanto, acham que o primeiro lance tem de partir do governo. No início da semana, Serra e Aécio bateram nessa tecla; nos dias posteriores, seus seguidores os repetiram. Nárcio vai mais longe: diz que o primeiro governo Lula descumpriu vários acordos firmados com a oposição. Lula vai ter de mudar essa postura para ter uma boa relação com a oposição, afirma ele.
Serra também garantiu que o PSDB não vai apostar no quanto pior, melhor. Bem entrosado, Nárcio repete a glosa: Vamos ser duros contra o governo, mas não podemos ficar contra o País, sinaliza.
Jutahy confirma a influência dos novos governadores sobre a base parlamentar do PSDB ao lembrar um acordo entre Serra e Aécio o paulista indica o líder na Câmara, que deve ser Antônio Carlos Pannunzio (SP), e o mineiro, o 1º vice-presidente da Mesa da Câmara, que deve ser Nárcio. O acerto pressupõe a adesão a uma negociação com o governo para compor a Mesa da Câmara.
Não seria difícil a Serra e Aécio induzir a essa negociação. Primeiro, porque São Paulo e Minas têm 25 dos 65 deputados do PSDB; segundo, porque eles contariam com a força política de seus governos. Já Freire fala em disputar a Mesa contra o futuro bloco aliado governista, proposta que tem boa chance de ser apoiada pelo PFL. Eles têm até fevereiro para acertar os ponteiros.


