Depois do PMDB, ontem foi a vez de o PT anunciar que vai às ruas defender reposição salarial imediata por conta da inflação. Mas não há consenso no partido sobre o assunto. Em encontro com os governadores do partido, o presidente de honra, Luiz Inácio Lula da Silva, pregou a volta do gatilho salarial, enquanto o presidente do partido, deputado José Dirceu (SP), descartou campanha pela reindexação e os governadores petistas advertiram não suportar um reajuste do salário mínimo nos Estados.
Os governadores admitiram que, inicialmente, não têm como pagar aumento salarial, porque estão legalmente impedidos: os gastos de seus Estados com folha de pessoal superam o limite de 60% da receita, imposto pela Lei Camata, além de estarem proibidos de dar aumento salarial por cláusulas nos contratos de repactuação das dívidas. O governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos (Zeca do PT), admitiu que um reajuste do salário mínimo necessariamente levaria a uma nova pauta de negociações entre governo federal e estaduais.
‘‘Como vamos dar aumento se estamos acima do limite?’’, questionou Zeca do PT, alegando que no momento a maior preocupação do governo de Mato Grosso do Sul e dos próprios funcionários é acertar as folhas salariais de novembro, dezembro e do 13º que até hoje não foram pagas.

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