Curitiba - Cinco dos seis governadores do PMDB, partido alinhado com o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), encaminharam ontem um manifesto ao presidente, no qual fazem diversas cobranças. A reunião aconteceu poucas horas depois que o sociólogo Francisco de Oliveira um dos fundadores do PT e hoje um dos grandes críticos da gestão Lula fez uma análise do desgaste do governo federal, durante a reunião do secretariado organizada por Requião pela manhã (leia na página 5).
Os governadores Roberto Requião, anfitrião do encontro em Curitiba; Germano Rigotto (Rio Grande do Sul); Rosinha Garotinho (Rio de Janeiro); Luiz Henrique da Silveira (Santa Catarina); e Jarbas Vasconcelos (Pernambuco) fazem quatro reivindicações ao presidente Lula. Apesar da postura crítica em relação a Lula e sua equipe, Requião disse, ao final do encontro, que fazer oposição seria ''bobagem'', e que o encontro de ontem foi um ''movimento de opinião''.
Os cinco governadores estiveram reunidos por cerca de duas horas e meia, no Palácio Iguaçu. Só não participou o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz. Ele não veio porque hoje é aniversário de Brasília, e as comemorações iniciaram às 14 horas de ontem, mesmo horário da reunião em Curitiba.
Os governadores reclamam que os estados estão em dificuldades financeiras. Na esperança de minimizar os problemas, os peemedebistas listaram quatro reivindicações. A primeira é a revisão do conceito de Receita Líquida Real. A intenção dos governadores é excluir do cálculo para pagamento da dívida as vinculações constitucionais para gastos em saúde, educação e fundos de probreza. A saúde consome 12% da receita, e a educação 25%. ''O Brasil precisa disso para viabilizar a retomada dos investimentos por parte dos estados. Poderemos investir em infra-estrutura. O País precisa de estradas, de saneamento'', disse Requião. ''O Paraná paga R$ 180 milhões por mês em dívidas, e por isso não conseguimos investir'', completou o governador.
O segundo ponto diz respeito ao fundo de compensação das exportações. Os governadores lembraram que o governo federal prometeu aumentar para R$ 8,5 bilhões este ano o montante disponibilizado aos estados exportadores (entre eles o Paraná) nos fundos de compensação das exportações. Rigotto explicou que o fundo serve para compensar as perdas com a Lei Kandir (que prevê isenções de impostos estaduais para empresas exportadoras). ''Tem que haver boa vontade do governo federal'', comentou o governador do Rio Grande do Sul.
O terceiro ponto é o fundo de desenvolvimento regional. Os governadores cobram a viabilização integral e efetiva do Fundo de Desenvolvimento Regional do Semi-Árido, no valor de R$ 2 bilhões. O quarto e último ponto é mais abrangente e visa a retomada do crescimento econômico. Os governadores querem investimentos em habitação, saúde, saneamento básico e infra-estrutura. O objetivo é gerar empregos e melhorar a distribuição de renda.

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