O presidente Fernando Henrique ouviu queixas durante o encontro promovido ontem em Brasília pela ala governista do PMDB em apoio à sua reeleição. O governador Garibaldi Alves Filho (RN) cobrou investimentos permanentes no combate à seca no Nordeste. Garibaldi falou em nome dos governadores do partido no ato peemedebista. ‘‘A ação do governo se faz presente no Nordeste, mas precisa se fazer mais presente. Temos de ter um fluxo de recursos adequados’’, disse.
O governador reclamou da burocracia, também criticada pelo próprio FHC ontem. ‘‘A burocracia não cria apenas empecilhos, mas pode ser responsável por vidas humanas. Não podemos permitir isso no governo de Fernando Henrique Cardoso’’, completou Garibaldi. A ala governista fez questão de dizer ontem ao presidente que representa o ‘‘PMDB real, que tem votos’’.
O encontro foi marcado para tentar neutralizar a falta de apoio formal do partido. No domingo passado, a convenção do PMDB não oficializou apoio à reeleição de FHC. A convenção foi convocada pelo presidente do partido, Paes de Andrade, que defendia uma candidatura própria à presidência. ‘‘Bem-vindo à reunião do PMDB que tem voto, que decidiu apoiá-lo’’, disse o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).
Palanque Em discurso aos aliados, Fernando Henrique disse que vai ‘‘respeitar’’ as candidaturas regionais dos partidos aliados, mas não escondeu que fará campanha pelos tucanos. ‘‘O presidente não vai esconder nunca as cores do seu partido porque seria indigno’’, afirmou FHC. ‘‘Mas saberá respeitar e compreender as situações regionais’’, acrescentou.
Estavam com FHC peemedebistas que disputam governos estaduais com tucanos. Entre eles Joaquim Roriz, que disputa com José Roberto Arruda, no Distrito Federal, e Newton Cardoso, vice da chapa de Itamar Franco, adversário do tucano Eduardo Azeredo, em Minas Gerais.
Mas candidatos a governos estaduais do PMDB disseram que o presidente não deve visitar os estados onde os partidos aliados (PSDB, PFL, PPB e PTB, além dos nanicos PSD e PSL) não estão coligados na eleição estadual. Eles preferem a ausência de FHC em seus palanques à presença do presidente na campanha também de seus adversários. Somente em sete estados, os partidos da aliança de FHC não são adversários na eleição para o governo: Amapá, Rio Grande do Sul, Alagoas, Paraíba, Paraná, Ceará e Amazonas. Na Bahia e no Maranhão, o presidente já decidiu que subirá ao palanque pefelista. Nos dois casos, o PSDB não lançou candidato próprio e se aliou a outras coligações.
O senador Mauro Miranda (GO), ligado ao candidato Íris Rezende, afirmou que FHC deverá subir ao palanque do PMDB em Goiás. ‘‘É natural que vá. Na Bahia, ele vai apoiar o PFL e, em Goiás, o PMDB’’, disse o senador. Íris disputa o governo com o tucano Marconi Perillo, que tem apoio dos demais partidos da aliança nacional (PFL, PTB e PPB).
O candidato peemedebista ao governo do Tocantins, Moisés Avelino, prefere a ausência de FHC. ‘‘É melhor não ir. Se subir em um, a campanha será desigual. Não há jeito de subir nos dois’’, disse. O PMDB concorre com o PFL e com o PPB, na coligação de Siqueira Campos (PFL). No Distrito Federal, Roriz pede neutralidade. ‘‘Basta não subir em nenhum palanque. Eu farei esforço para transferir todos os meus votos para ele (FHC).’’
Propaganda O TSE atendeu atendeu em parte aos pedidos do secretário de Comunicação Social de FHC, Sérgio Amaral, para que o governo mantenha no ar, nas emissoras de televisão, nove peças publicitárias. Apenas três tiveram sua permanência no ar autorizada.
Os pedidos foram feitos porque a legislação eleitoral impede que, a partir de amanhã, continuem sendo divulgadas peças passíveis de ser identificadas como propaganda. (Colaboraram Renata Rinaldi e Nelson Breve).

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