Governadores dizem que modelo econômico atual está 'acabado'
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Karla Losse Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O fim do atual modelo econômico como consequência da crise financeira mundial foi consenso entre os governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e do Paraná, Roberto Requião (PMDB). Outro ponto pacífico entre os governadores é a imprevisibilidade dos efeitos da crise. Segundo eles, não se pode determinar quando ela vai terminar ou qual será seu impacto sobre a economia e o consumo.
O posicionamento ficou claro ontem durante o encerramento do seminário ''Crises - Rumos e Verdades'', promovido pelo governo do Paraná para discutir as causas e os efeitos da crise global. De acordo com Requião, governadores de todos os estados foram convidados para o evento, mas apenas os dois compareceram.
Serra fez duras críticas à política financeira e cambial do Governo Lula (PT), principalmente à manutenção da taxa de juros, ao câmbio valorizado e aos altos gastos públicos. ''A receita real teria que crescer 9% apenas para dar conta dos gastos salariais com o aumento previsto para os próximos anos'', exemplificou.
Na avaliação de Serra, o momento de crise possibilitaria ao governo federal reduzir a taxa de juros. Segundo ele, a decisão tomada ontem pelo Banco Central de manter o índice em 13,75% ao ano foi equivocada. ''É uma oportunidade para baixá-lo, o que infelizmente não foi feito. Existe duas explicações para isso: ignorância ou falta de conhecimento sobre economia'', criticou. ''A questão-chave é confiança. Confiança de gastos, de investimento e de consumo. É importante elevar a confiança e a ação do Banco Central de ontem não contribui para isso'', diz.
Para Serra, o modelo econômico que virá não permitirá a especulação financeira. 'Aquele modelo que era uma moleza para expandir a liquidez e para especulação financeira acabou'', disse. ''A economia mundial vai mudar e o Brasil precisa se preparar para enfrentar a conjuntura a curto, médio e longo prazo'', afirmou.
Requião voltou a defender um fortalecimento dos países latino-americanos e diz acreditar que a adoção de uma moeda única para a região seja possível. ''Temos que fortalecer o comércio com a Argentina, Paraguai e Uruguai, que é um caminho de fuga à dependência do dólar'', disse. Como soluções para a crise, Requião cita a promoção da circulação do crédito, a ampliação de investimentos públicos e a revisão da política de juros que o governador classificou como a ''mais elevada, nutrida e substanciosa do planeta Terra''.
Já o governador de Santa Catarina, que foi assolada nos últimos dias por uma enchente que deixou mais de 120 mortos e milhares de desabrigados, declarou que estamos vivendo a superposição de duas crises: uma financeira e uma ambiental. Ele também defendeu investimentos públicos para o combate à crise e criticou a centralização dos recursos pelo governo federal. ''Sugeri (ao ministro da Fazenda Guido Mantega) que todos os Estados retenham 30% do valor que repassam à União como pagamento de dívidas para a aplicação em investimentos'', afirmou. O governador acredita que o uso desses recursos em obras como ferrovias, duplicação de rodovias e pesquisas científicas e ambientais seria uma das principais formas para impulsionar o desenvolvimento.


