ArquivoPrecipitaçãoVitor Buaiz, governador do Espírito Santo: declaração precipitada sobre sua desistência da disputa da reeleiçãoOs nove governadores do PMDB têm encontro marcado em Brasília na próxima semana para discutir a sucessão nacional e nos Estados. A maioria está empenhada na reeleição e quer dividir seu palanque com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas pelo menos quatro deles - AL, SC, MS e RS - revelam-se desanimados com a reeleição e adiantam que podem ficar de fora da disputa. A confissão precipitada é um erro, avaliam os analistas das pesquisas de opinião sobre o desempenho eleitoral dos governadores e o comportamento do eleitor brasileiro.
Os cientistas políticos que trabalham com pesquisas eleitorais garantem que qualquer governador com 20% de aprovação e pelo menos dois adversários pode garantir presença no segundo turno da briga em torno de sua própria cadeira. E com a vantagem de que o eleitorado mostra-se avesso a novidades. Os levantamentos de opinião registram que o eleitor prefere repetir um governo que tenha aceitação média a arriscar uma inovação promissora.
Na eleição municipal passada, todos os prefeitos com popularidade acima de 50% emplacaram seus sucessores. Se a boa performance produzir o mesmo efeito no ano que vem, pelo menos três governadores terão reeleição garantida, mantidos os atuais índices de aprovação. São eles o goiano Maguito Vilela (PMDB), campeão de popularidade com 62,3%; o cearense Tasso Jereissati (PSDB), com 55,1%, praticamente empatado com o paraibano José Maranhão (PMDB), com 55%. A primeira mulher eleita governadora, Roseana Sarney (PFL-MA), também desfruta de posição privilegiada. É a sexta colocada na preferência nacional, com 44,4% de aceitação.
Estes dados também fazem supor que o governador do Espírito Santo, Vitor Buaiz, precipitou-se ao declarar, na sexta-feira, que está muito bem sem partido, desde que deixou o PT, e não pretende candidatar-se novamente ao governo. Ninguém foi tão claro quanto Buaiz na desistência. Nem o lanterninha nas pesquisas sobre o desempenho dos executivos estaduais, governador Divaldo Suruagy (PMDB-AL). O governador de Pernambuco Miguel Arraes (PSB) é outro que pode ficar fora do páreo, embora cumpra o requisito da popularidade mínima, com 22% de aceitação. O drama eleitoral de Arraes é a rejeição em torno de 50%.

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