Brasília - Os Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste criaram o G20, grupo que reúne os 19 governadores das regiões consideradas mais pobres do país e o do Distrito Federal, para se contrapor na reforma tributária ao ''G7'', formado pelos Estados mais ricos do Sul e do Sudeste. O grupo, que reuniu-se ontem pela primeira vez, já começou esvaziado. Dos 20 governadores esperados, compareceram apenas 8. Os demais mandaram representantes. O nome é uma alusão ao G23, grupo de países emergentes liderados pelo Brasil na última reunião da OMC (Organização Mundial de Comércio).
Ao contrário do G23, que foi criticado durante o encontro por não ter poder de decisão, os governadores do G20 acreditam que têm artilharia suficiente para impor mudanças na reforma no Senado: os 60 senadores que representam os ''Estados pobres'', maioria num total de 81. O G20 pretende exibir os músculos já em uma reunião, marcada para a próxima terça-feira, dos 27 governadores com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No dia seguinte, o grupo voltará a se reunir com os líderes dos partidos no Senado para discutir suas propostas de mudança.
Basicamente, os governadores querem que o Senado, pelo menos, retome o texto enviado pelo presidente Lula ao Congresso, que foi profundamente alterado na Câmara. O G20 não concorda em dividir os R$ 2 bilhões do Fundo de Desenvolvimento Regional com o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, conforme foi aprovado na Câmara, mas admitem negociar sobre a participação de Minas, cuja região semi-árida já faz parte da Sudene - é a segunda região de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais baixo do país.
Outra reivindicação tem convergência de interesses com os Estados do Sul e do Sudeste: a divisão de 25% da Cide (contribuição cobrada sobre venda de combustíveis). A Câmara incluiu também os municípios. A terceira reivindicação é em relação ao fundo a ser criado para compensar as exportações, que acabou incorporando de última hora, na votação da Câmara, mais vantagens aos Estados mais ricos.
Votação - A Câmara dos Deputados iniciou às 18h de ontem a votação da reforma tributária em segundo turno. Cumprindo o prometido, o PFL buscava obstruir os trabalhos por meio de manobras regimentais, além de ter entrado no Supremo Tribunal Federal com um mandado de segurança para tentar suspender a votação. O governo levou 40 minutos para derrubar dois requerimentos protelatórios do partido, um que pedia a retirada de pauta da reforma (rejeitado por 224 votos a 39) e outro que solicitava a votação do texto em partes (rejeitado simbolicamente). Até as 20h, a votação da reforma não havia começado.

mockup