O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou com mais de uma hora e meia de atraso na festa do aniversário do PSDB, na segunda-feira à noite. Livrou-se, assim, dos discursos feitos no coquetel que precedeu o jantar e de ter de prometer subir em palanques de candidatos tucanos no próximo ano. Um pouco antes da chegada de Fernando Henrique, o governador do Ceará, Tasso Jereissati, que falou no lugar do governador Mário Covas, deu o recado dos colegas de partido. A definição do rumo da sucessão nos Estados ‘‘passa, necessariamente’’ pelos governadores tucanos.
O presidente do PSDB, senador Teotônio Villela Filho (AL), aproveitou a festa e o bom humor demonstrado por Fernando Henrique para propor um ‘‘brinde à reeleição em 98’’. Teotônio afirmou que o partido será o ‘‘esteio da reeleição do presidente’’ e dos governadores. A reação de Fernando Henrique foi um discreto gesto na direção dos governadores: ‘‘Já que é um brinde, vou brindar aos governadores.’
Logo depois, em conversa com jornalistas, o presidente disse não ter medo de campanha. ‘‘Vou continuar fazendo as minhas viagens, fazendo o que eu faço pelo Brasil; mesmo se disserem que é campanha eu vou continuar viajando’’, disse. O presidente considerou natural o lançamento de sua candidatura pelo seu partido. ‘‘Seria estranho se fosse o contrário: o PSDB sempre foi o meu partido, estaria muito mal se eu não fosse o candidato’’, declarou. Mas logo ressaltou que ‘‘a população não está preocupada com lançamento de candidatura, está preocupada é com outras coisas’’.
Quem deu o tom da insatisfação no partido foi o governador de São Paulo, Mário Covas, que chegou atrasado e rejeitou a convocação para discursar em nome dos governadores. Os cinco governadores compareceram à festa reivindicando a participação de Fernando Henrique na campanha dos tucanos nos Estados, e escolheram o governador do Ceará, por ser o que melhor se relaciona com o presidente, a falar em seu nome. Jereissati disse que os governadores ‘‘darão o tom’’ sobre a conveniência de o presidente subir neste ou naquele palanque.
Covas disse que o lançamento da candidatura não era necessário: ‘‘É mais do que sabido que ele (Fernando Henrique) é candidato à reeleição, e foi o povo quem o lançou, pois quem faz um bom governo acaba fazendo campanha o tempo todo’’. Outro que chegou atrasado - após o discurso de Jereissatti - foi o governador do Rio, Marcello Alencar. Ele afirmou não admitir a presença de Fernando Henrique no palanque do pefelista Cesar Maia, no Rio. ‘‘O presidente não fará isso, porque o grau de tolerância dele não o conduzirá à perda de sua identidade ideológica e partidária’’, disse o governador fluminense.
Segundo líderes tucanos fluminenses, Alencar está magoado com o presidente por causa dos elogios ao ex-prefeito carioca César Maia, do PFL, que Fernando Henrique gostaria de ver disputando o governo do Estado, o que contraria os planos do atual governador do Rio. O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, tentou desfazer os atritos causados pela polêmica sobre os palanques nos Estados. ‘‘Prioritariamente, o presidente vai subir no palanque dos tucanos, mas a gente tem que entender que ele é o presidente de uma coligação, ele pode até conseguir se reeleger sozinho, mas não conseguiria governar só com o partido dele.’

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