Embora tenha pretendido manter a questão do ressarcimento do ICMS das exportações num plano meramente técnico, o governo federal não conseguiu evitar que o problema assumisse uma dimensão política. Assim como o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), outros aliados do presidente Fernando Henrique Cardoso têm feito duras críticas aos critérios adotados para o ressarcimento. O secretário estadual da Fazenda de São Paulo, Yoshiaki Nakano, chegou a declarar que a chamada Lei Kandir - que suspendeu a cobrança do ICMS nas exportações de produtos primários e semi-elaborados - seria o maior cabo eleitoral de Paulo Maluf em São Paulo.
Elaborada com o objetivo de promover as exportações, a lei proposta pelo ainda deputado Antônio Kandir, do PSDB, só foi aprovada, no final do ano passado, depois que ele, já ocupando o Ministério do Planejamento, negociou com os secretários de Fazenda um esquema de compensação das perdas que os Estados sofreriam com a isenção do ICMS. Ocorre que o cálculo das indenizações acabou se tornando uma queda-de-braço entre o governo federal e os Estados, que estão pressionados por suas dívidas e impossibilitados de fazer investimentos.
No Orçamento deste ano, o governo reservou R$ 3,6 bilhões para ressarcir os Estados, mas apenas pouco mais de R$ 800 milhões foram até agora repassados aos governadores. Na última terça-feira, quando foi a Brasília debater no Congresso a reforma da segurança pública, Covas voltou a cobrar do governo federal o cumprimento do acordo.
O governo federal alega que o valor inscrito no Orçamento é um teto para as indenizações, que só devem ser pagas quando ocorrem perdas de arrecadação em decorrência da aplicação da Lei Kandir. Angustiados pelas dívidas, os governadores passaram a pressionar a União e o Congresso para que o cálculo do ressarcimento fosse alterado.

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