Governadores adiam ajustes, apesar da LRF
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domingo, 21 de janeiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
O tempo está se esgotando para alguns dos principais governadores do País. Responsáveis por quase 30% do PIB nacional, os governos de Minas, Rio e Rio Grande do Sul ainda gastam mais de 70% com a folha de pagamento e não tomaram nenhuma medida mais séria para mudar o quadro. Governadores de oposição, Itamar Franco (sem partido) em Minas, Anthony Garotinho (PSB) no Rio e Olívio Dutra (PT) no Rio Grande do Sul resistem em enxugar a máquina e privatizar ou fazer concessões.
Na segunda metade dos seus mandatos, eles ainda não conseguiram equilibrar as contas e só têm este ano para dar a volta por cima. Como a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) proíbe deixar dívidas para o próximo mandato e qualquer aumento de imposto precisa ser criado no ano anterior, os governadores terão de fazer o ajuste este ano, para chegarem em 2002 com chances de reeleição ou, pelo menos, de fazer o sucessor.
Hoje essas chances seriam mínimas, de acordo com o cientista político e especialista em marketing político Gaudêncio Torquato, vice-presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abicop). Para ele, Itamar, Garotinho e Olívio ainda não desceram do palanque e perderam tempo demais com polêmicas em vez de se debruçarem sobre os maiores problemas de seus Estados.
Segundo Torquato, os três governadores da oposição enredaram-se com questões polêmicas e pouco produtivas. Com a LRF, a situação ficou ainda pior. Quem não se enquadrar no limite de 60% da receita para gasto de pessoal ou deixar dívidas poderá perder os direitos políticos e até ser preso. Para tentar reverter isso, Itamar anunciou cortes no funcionalismo, com extinção de 6 mil cargos comissionados e demissão de não concursados.
Embora a popularidade de Olívio tenha melhorado, sua aprovação continua baixa. É verdade que o déficit foi reduzido de R$ 1,4 bilhão para R$ 419 milhões e a receita subiu de R$ 7,1 bilhões, em 1999, para R$ 8,1 bilhões, em 2000. Em compensação, a previsão de R$ 408 milhões para investimentos encolheu para R$ 280 milhões. Mais grave ainda, a folha continua consumindo cerca de 80% da receita mensal.
Para sair desse imbróglio, o economista Raul Velloso, um dos maiores especialistas em finanças públicas do País, acha que os governadores terão de fazer tudo o que até agora não fizeram. Além dos três citados, ele inclui o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL). Há dois anos, os quatro gastavam mais de 80% da receita com pessoal, aponta. Só foram salvos até agora porque ocorreram dois grandes picos na arrecadação, mas continuam com uma folha alta e terão muitos problemas até 2002.
Lerner está jogando tudo no fundo de previdência, que deve ser capitalizado com 70% dos R$ 3 bilhões da venda da Copel. Com isso, ele espera reduzir o atual compromisso de 67% da folha. O déficit de R$ 285 milhões em 1998 caiu, mas ainda é alto: R$ 155 milhões.


