Governadores, a arma utilizada pelo Planalto
O governo colocou em ação os governadores para pressionar os convencionais peemedebistas de vários Estados a derrubar hoje a tese da candidatura própria do partido à Presidência da República. Em Alagoas, por exemplo, o governador Manoel Gomes de Barros (PTB) foi acionado para mudar seis dos dez votos alagoanos declarados até sexta-feira a favor da tese da candidatura própria do PMDB.
O senador paraibano Ronaldo Cunha Lima (PMDB) afirmou que os estados foram ameaçados com cortes de verbas. As ameaças de retaliação são um retrocesso político inaceitável. Os convencionais da Paraíba não mudaram de posição, foram 30 votos a favor da candidatura própria e 13 pela reeleição, afirmou Cunha Lima. A vitória de FHC ajuda na campanha de reeleição do governador José Maranhão (PMDB-PB) e frustra a expectativa do senador Cunha Lima de ser candidato a vice de Itamar Franco. Apesar do racha no PMDB paraibano, o governador e Cunha Lima dizem que o partido continua unido no Estado.
Para não perder o apoio do governo, o governador de Mato Grosso do Sul, Wilson Barbosa Martins (PMDB), diz ter conseguido 17 dos 18 votos do Estado na convenção. Desta forma, jogou contra a possibilidade do próprio partido conseguir eleger o novo governador no Estado. Martins planeja apoiar seu secretário de Fazenda, Ricardo Bacha, em 3 de outubro. Bacha é tucano e disputa indicação com o ex-governador tucano Lúdio Coelho. Sem a aprovação da candidatura própria, o PMDB do Mato Grosso do Sul fica sem condições de lançar candidato próprio, afirmou o deputado federal, Walter Pereira (PMDB-MS), único convencional do Estado a contrariar a vontade do governador. (A.F.)





