Pela vez primeira o governo cobrará os dias parados. E isso é mais eficaz do que repressão, como se verá"

Analogia oportunista
Da mesma forma que obteve passe livre para uma prensa fiscal sem precedente seguida de uma apropriação de recursos da ParanaPrevidência para reduzir graficamente gastos com pessoal, o governador volta à ofensiva com as medidas anunciadas no meio da semana. Não faltou para justificá-la uma ameaça: se não o fizermos dentro em pouco, estaremos como o Rio Grande do Sul, aquele que parcela salários na hora do pagamento. Por sinal que o último reajuste do pessoal do Executivo aqui não respeitou a lei precedente que mandava incorporar automaticamente o acumulado da inflação (mais de 8%), que só beneficiou o Judiciário, Legislativo e Tribunal de Contas e o fragmentou em etapas.
No momento em que houver um sinal verdadeiro de recuperação fiscal - não esse inconfiável oba oba de quinta-feira - teremos o retorno da gastança. Essa que quebrou o Paraná, mas que faz parte da cultura compulsiva do time.

Aquecendo
Professores olham a mensagem da eleição nas escolas como uma retaliação às mobilizações da APP-Sindicato. E pretendem na hora do debate acentuar o traço centralizador da proposta, mal amainada por emendas na CCJ. Na sessão pública que precederá o trâmite em plenário pretendem mostrar que o projeto do pai, José Richa, era mais democrático que o do filho, Beto Richa, um recuo abismal. E isso dará o sentido bélico da arregimentação. Não está afastada a hipótese radical de ocupação do legislativo e também da retomada da greve. Se ela houver, uma novidade: pela vez primeira o governo cobrará os dias parados. E isso é mais eficaz do que repressão, como se verá. Em tempo de orçamento familiar esticado com isso não se brinca.

Sonho
A expectativa triunfal que antecedeu o feriadão entre empresários do litoral, logo prejudicada pelo mau tempo, traduz bem o momento da recessão nacional: uma data promocional, uma feira, um evento, enfim, que mexa com o mercado é olhado como cânfora na hora da morte. O pessoal do show biz quanto o da hotelaria fez o possível para receber mais turistas, o que não impediu que mais uma vez se captasse as preferências por balneários catarinenses bem mais profissionais técnica e empresarialmente do que os nossos.

Coloquialismo
Uma área do professorado, no trâmite da lei que muda a eleição nas escolas, fará o barulho de sempre, na discurseira e nas palavras de ordem, mas outra, longe de apitos e bumbos, tentará a persuasão, o convencimento pessoal, de deputados principalmente daqueles que tenham alguma ruptura com o governo. Haverá ainda o uso das redes sociais para incrementar o clima. Se não der para vencer, qualquer desgaste do oficialismo será lucro. É a forma civilizada de responder ao massacre de 29 de abril.

Integração
Semanas passadas, Paranavaí fez uma celebração com o barreado, prato clássico do litoral, e que tem um significado forte para a integração cultural de que somos tão carentes com nossos três Paranás, o Norte paulista-mineiro, o Oeste-Sudoeste gaúcho-catarinense e o Sul tradicional.

Evolução
Houve um tempo em que empresários litorâneos queriam, como o PT sonha fazer com as notícias, que eles pretendiam vetar registro de mau tempo. Melhoraram muito e já não conservam tal pretensão. Houve um tempo também que anunciante de programa de cinema, um dos mais baratos até pela frequência, chiava contra artigos dos críticos da área. Evoluímos.

Folclore
O deputado Alício Ribeiro da Mota, do Norte Pioneiro, se empolga na tribuna do legislativo estadual com o próprio discurso cheio de metáforas e ao percebê-lo tenta controlar-se com a expressão "sossega, leão!" dita por ele mesmo, quase regougada, mas ouvida por todos.

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