Governador volta a fazer piada com o público gay
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quarta-feira, 04 de novembro de 2009
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Uma semana depois do governador Roberto Requião (PMDB) causar polêmica com declarações que relacionavam o câncer de mama masculino com as passeatas gays, o assunto voltou à pauta, ontem de manhã, na Escola de Governo. Quase metade da reunião foi tomada por uma exposição do secretário especial de Assuntos Estratégicos, Nizan Pereira, que fez um relato sobre as políticas do governo do Estado voltadas às minorias, entre elas os quilombolas, indígenas e o grupo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Requião, no entanto, voltou a fazer piadas envolvendo o público gay.
A primeira brincadeira de Requião foi em direção a secretários e funcionários estaduais que não compareceram à escolinha. ''Nizan, você reparou como tem pouca gente na plenária hoje? Geralmente eu me enfureço com isso. Mas hoje o Moreira (chefe de gabinete) já me informou que o pessoal ainda não voltou da passeata no Rio de Janeiro'', disse, referindo-se à 14 Parada do Orgulho Gay, realizada domingo no Rio de Janeiro.
Na abertura da parada, Requião foi alvo de críticas feitas pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. ''Eu lamento, não há nada mais nojento do que o preconceito. Lamento que haja político atrasado dessa maneira'', disse Cabral. ''Preconceito dá câncer, faz mal à saúde e pode matar. O que cura o preconceito e a doença é a solidariedade'', afirmou Minc.
''Eles devem ter se divertido'', rebateu Requião, ao ser questionado sobre as críticas. Requião ressaltou, no entanto, que seu governo tem outra maneira de trabalhar com este tema. ''Vocês nunca me verão dançando em uma passeata gay. Do ponto de vista civilizatório, não acredito no resultado de uma passeata. Acredito em inteligência, em trabalhar nas escolas, culturalmente. É uma política que me acompanha desde a Prefeitura de Curitiba, são políticas sérias de inclusão, que tentam mexer com o processo civilizatório'', afirmou.
Requião também fez questão de mandar um recado para o governador carioca, dizendo que ele deveria ''se espelhar'' no trabalho da polícia paranaense que na última semana descobriu que a morte recente de cinco jovens foi uma execução feita por alguns policiais. ''A polícia do Paraná procura cada vez mais o caminho da cidadania'', disse, ressaltando que a própria polícia condena a atuação desses policiais que foram presos.
Apesar de representantes do grupo LGBT terem solicitado espaço na Escola de Governo de ontem, para responder as afirmações anteriores de Requião, nenhum deles ocupou a tribuna para falar, nem mesmo a travesti Andrielly Vogue, que estava presente na reunião.
Requião também reforçou o que já disse anteriormente, e fez novamente uma advertência quanto ao uso de hormônios femininos e implantes de silicone que, segundo ele, podem ocasionar câncer de mama. Questionado sobre o fato de que médicos já descartaram qualquer relação entre as próteses e o câncer, o governador disparou: ''Provavelmente eles (os médicos) estão ganhando muito com os implantes''.


