O governador Jaime Lerner (PFL) antecipou sua viagem a Londrina, onde recebe hoje o vice-presidente Marco Maciel (PFL) para um evento, e se reuniu ontem à noite com a vice-governadora Emília Belinati (PTB) no apartamento dela, no centro da cidade. O encontro, a portas fechadas, durou uma hora e 25 minutos, e foi marcado pelo próprio governador para tentar uma reaproximação com a vice. Emília está rompida com Lerner desde o final do ano passado por não concordar com a escolha do secretariado do segundo governo.
Segundo a assessoria de Emília, Lerner fez um relato de suas viagens e ela falou sobre o período da interinidade, de seus contatos no interior do Estado em visita a prefeitos e lideranças. ‘‘Não conversamos sobre política’’, disse Emília via assessoria.
Antes de se reunir com a vice, o governador foi até o gabinete do prefeito Antonio Belinati (sem partido), com quem conversou durante 43 minutos. Também não houve acesso da imprensa, que só teve permissão para fotos e imagens. Lerner e Belinati saíram bem humorados do encontro. ‘‘Imagine se eu vier a Londrina e não visitar o Belinati?’’, afirmou Lerner.
Na chegada ao aeroporto, onde não foi recebido pelo prefeito, o governador disse: ‘‘Vou visitar o amigo Belinati e dizer que cada vez mais vamos apoiar Londrina’’. Há cinco meses o governador não vinha à cidade. No final do encontro com Belinati, Lerner repetiu a garantia de apoio aos projetos do município. Questionado sobre as divergências com o prefeito, que também criticou a composição do secretariado, admitiu que elas existem, ‘‘mas as convergências são 99%’’.
Segundo Belinati, o governador foi ‘‘extremamente habilidoso’’ ao marcar o encontro. ‘‘Ele disse que queria puxar papo, colocar a conversa em dia. A reunião foi um quebra-gelo’’, classificou o prefeito. Belinati contou que o último contato com Lerner foi no final do ano passado, quando o governador lhe telefonou para informar que havia convidado o vice-prefeito de Londrina e deputado federal eleito Alex Canziani (PFL) para a Secretaria do Trabalho. ‘‘Fazia tempo que não nos víamos. Não fui à posse dele e não trocávamos nem olhar’’, disse o prefeito.
Belinati disse que o encontro não teve o caráter de barganha. ‘‘Não foi conversa sobre adesão ou não ao governo do Paraná. Estou preocupado com o interesse da cidade e sempre que contarmos com a boa vontade do governo vamos ter um gesto de gratidão’’. Segundo o prefeito, Lerner prometeu apoiar a vinda da indústria Estrela e da fábrica francesa de rolamentos SNR. Conforme Belinati, Lerner também lhe garantiu que o gasoduto Brasil-Bolívia terá um ramal para Londrina, e que o município deverá ter uma termoelétrica.

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