Governador rejeita nova proposta e aposta em desgaste dos servidores
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terça-feira, 02 de junho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba Mais uma tentativa de negociação em torno de uma nova proposta de reajuste ao funcionalismo estadual terminou fracassada. Oficialmente, o Executivo não aceitou a alternativa apresentada pela liderança governista da Assembleia Legislativa (3,45% em uma única parcela no mês de outubro e o restante em dezembro deste ano) por não ter dinheiro em caixa. Entretanto, nos bastidores da Casa, diversos parlamentares, inclusive da base, deixaram claro que a estratégia do governo é não recuar e trabalhar com a perspectiva de desgaste dos professores e servidores em greve que completa hoje 36 dias.
A expectativa é que, em razão do risco de comprometimento do ano letivo da rede estadual, por exemplo, o funcionalismo será vencido pelo cansaço. A adoção desta postura pode dar certo, mas a que custo? Já é perceptível, por exemplo, que a decisão do governo enfrenta resistência, tanto que o projeto de reajuste anteriormente encaminhado (3,45% dividido em três parcelas e antecipação da data-base para janeiro de 2016) por Beto Richa ainda não está nem tramitando na Assembleia.
O presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), frisou mais uma vez que, enquanto não houver entendimento sobre o índice de reajuste, o projeto não será submetido à votação. Questionado sobre a posição do governo em não aceitar a nova proposta, Traiano disse que não pode avaliar a tática adotada. "Falo pela Assembleia, quem sabe dos limites dos parâmetros e números sobre o orçamento é o governo", afirmou.
O otimismo do deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), líder do governo na Casa, em relação à nova proposta na última segunda-feira virou decepção. Mas, segundo ele, a discussão ainda não está esgotada, mesmo com o secretário da Fazenda (Mauro Ricardo Costa) sendo irredutível. "Há uma discussão sobre o tema, e eu mesmo perguntei ao secretário da Fazenda se ele pode pagar 8,5% em janeiro, por que não pode pagar 4,56% em dezembro. Ele trabalha com a questão orçamentária e disse que o orçamento de 2015 não permite ou suporta este gasto adicional. É uma questão do ponto de vista técnico. Tivemos uma frustração, mas o debate continua para vermos se encontramos uma solução", disse.
Para Tadeu Veneri (PT), da oposição, a situação chegou num ponto muito delicado, e que já não se trata apenas da questão econômica. "Se fosse só isso, poderíamos até tentar entender, mas o problema é político", disse. "Não dá para entender. O governo sabe que sua base que hoje está em torno do 32 deputados, não vota esse projeto. Então, quem vota? Isso não tem motivação e é uma provocação desnecessária", completou.
De acordo com Hussein Bakri, vice-líder do PSC na Assembleia, a bancada composta por 12 deputados está fechada favoravelmente na concessão dos 8,17% ainda neste ano. Ele adiantou que os parlamentares da legenda vão voltar a conversar com o governador. "Pensando na resolução da questão só tem um caminho: convencer o governador. Se o governo não for convencido, temos duas opções: votar a favor ou contra. Se votarmos contra, pode ser 0% de índice, então caímos num buraco negro terrível aqui na Casa", afirmou.
Segundo a coordenadora do Fórum das Entidades Sindicais (FES) e diretora da APP-Sindicato, Marlei Fernandes, não há confiança nenhuma dos servidores no governador do Estado. "O governo fez outras promessas e não está cumprindo a lei neste momento. Quer que a gente confie que, em janeiro, quando já não tem dinheiro de forma recorrente, que nós vamos receber o que ele nos deve? Impossível", explicou.


