Governador reclama de suas dívidas ''herdadas''
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domingo, 31 de janeiro de 1999
Wilson Tosta Agência Estado 
Os recursos arrecadados pelo Programa Estadual de Desestatização - R$ 1,843 milhão - foram investidos na amortização de dívidas do Estado e ajudaram a financiar programas de obras com os quais o então governador, Marcello Alencar (PSDB), tentou, sem sucesso, se cacifar para sua sucessão. Segundo números divulgados no fim da gestão Alencar, cerca de 40% (R$ 744,8 milhões) da receita da venda ou concessão de estatais serviram para quitar dívidas com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Central e credores privados.
Apesar dos pagamentos, durante o governo passado a dívida do Estado (incluindo a parte renegociada com a União e outros débitos) passou de R$ 4 bilhões para R$ 21,5 bilhões. A maior parte do crescimento do débito veio do aumento da taxa de juros promovido pelo BC para ajudar a sustentar o Plano Real. O novo governador, Anthony Garotinho (PDT), diz que recebeu restos a pagar (dívidas que deveriam ter sido pagas no Orçamento de 1998) de R$ 2,5 bilhões, incluindo R$ 500 milhões devidos a empreiteiros.
Idealizado por Marco Aurélio Alencar, filho do governador e sucessivamente secretário de Planejamento e, depois, da Fazenda do Estado, o PED listou 21 empresas para venda de controle acionário, concessão de operação e liquidação, extinção ou fusão. Somadas, as vendas chegaram a quase R$ 2,2 bilhões, mas essa cifra inclui o valor total pela concessão, por 25 anos, no Metrô e da Flumitrens (trens suburbanos). A maior parte do preço das duas empresas será pago ao longo das concessões. Nem todas as privatizações foram concluídas. A da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), por exemplo, teve a venda suspensa no fim do ano passado, por decisão da Assembléia Legislativa.
O governo fluminense usou R$ 309 milhões dos R$ 640 milhões que recebeu pela venda da Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (Cerj) para ressarcir o BNDES pelo adiantamento do dinheiro necessário para reiniciar as obras do Metrô do Rio, com a expansão da Linha 1 até Copacabana e da Linha 2 até a Pavuna.


