Mário Covas recebeu ontem à tarde, no Incor, do arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, a Santa Unção dos Enfermos, sacramento da Igreja Católica administrado a doentes. Durante 15 minutos, dom Paulo, que foi chamado ao Incor pelo responsável pela capela do hospital, conversou com Covas no quarto em que o governador está internado. ‘‘Fizemos o ritual completo. Rezamos juntos o Pai-Nosso, com ele segurando forte a minha mão. Depois, fizemos a comunhão’’, declarou o cardeal. Dom Paulo, amigo pessoal de Covas, disse que ele demonstrava estar feliz. ‘‘Disse a ele que vim trazer todo o conforto de Deus. Ele me agradeceu muito’’, afirmou.
Outros líderes religiosos estiveram no Incor para dar apoio ao governador licenciado. O padre Julio Lancelotti, da Pastoral da Criança, foi até o hospital pela manhã para ‘‘abraçar um amigo’’. O bispo de Santo Amaro, dom Fernando Figueiredo, também esteve presente. Também esteve presente no hospital o presidente da Congregação Israelita de São Paulo, rabino Henry Sobel. Ao entrar no Incor, ele, de frente a uma parede, rezou uma prece em hebraico, imitando o ritual que judeus realizam no Muro das Lamentações, em Jerusalém. ‘‘Não é o momento de falar’’, afirmou aos jornalistas. ‘‘Vamos respeitar este momento’’, disse o rabino.
Durante todo o dia de ontem, amigos de Covas e políticos de vários partidos, incluindo vários secretários estaduais de governo, estiveram no Incor. Passaram pelo hospital, entre outros, o empresário Antônio Ermírio de Moraes, o senador Romeu Tuma (PFL), o secretário municipal de Habitação de São Paulo, Paulo Teixeira, e o deputado estadual Jamil Murad (PC do B). ‘‘Ele tem de ter fé. Eu já fui desenganado por médicos, mas tive fé e estou aqui’’, disse Tuma, em referência a problemas cardíacos que teve.
Teixeira declarou que Covas é um homem público ‘‘que deu enormes exemplos ao nosso país’’. ‘‘O governador sempre nos ouvia e era aberto a sugestões. É um democrata de admirável vida pública’’, disse o secretário petista. ‘‘Toda a minha geração aprendeu a admirá-lo.’’
Antônio Ermírio pediu a ‘‘todos os que são religiosos que rezem muito pelo doutor Covas’’. O empresário permaneceu durante cerca de dez minutos no saguão de entrada do Incor, onde se reuniam secretários de Estado, políticos e amigos de Covas. ‘‘Ele merece, é um exemplo de homem, um exemplo de política e neste momento faria uma falta imensa se houver um desenlace que espero que não haja’’, acrescentou o empresário.
Para Antônio Ermírio, ‘‘a esperança é o melhor remédio’’. Reclamando que está com um pé quebrado, o empresário disse que foi levar ‘‘uma mensagem espiritual para a família’’. Segundo Antônio Ermírio, Covas estava dormindo. ‘‘Deve estar sedado, é a minha impressão. Vamos pedir a Deus que dê tudo certo, mas é uma luta grande.’’
Covas passou o dia acompanhado de sua mulher, dona Lila, e dos dois filhos, Renata e Mário Covas Neto. Além deles e dos médicos, outras quatro pessoas estiveram com o governador em seu quarto: dom Paulo, Geraldo Alckmin, o secretário de Comunicação Osvaldo Martins, e o padre Rosalvino Viñayo, que recentemente organizou uma romaria a pé de São Paulo a Aparecida em prol da recuperação do governador. ‘‘O governador continua brigando com a doença. Está confiante e sereno’’, declarou Martins.

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