O rumor de que Itamar pode deixar o PMDB foi alimentado na tarde de ontem depois que, três horas após vir à tona a carta, o governador recebeu para uma conversa reservada no Palácio das Mangabeiras, a residência oficial, o deputado federal Vivaldo Barbosa (PDT-RJ) – que entrou mudo e saiu calado.
O PDT tem sido oferecido com insistência pelo seu presidente, Leonel Brizola. Vagando no mesmo ideário nacionalista, Itamar e Brizola se vêem constantemente e Barbosa é um interlocutor frequente do pedetista, que também tem conversado com o presidenciável Ciro Gomes (PPS-CE).
Toda essa ‘‘operação Itamar’’ foi arquitetada em São Paulo, onde Itamar ficou na semana passada após uma cirurgia para a retirada da vesícula. No sábado, um dia antes de retornar a Minas, ele recebeu o presidente licenciado do PT, José Dirceu, que na noite anterior estava em Belo Horizonte.
No dia seguinte, Dirceu foi cedo a São Paulo para o encontro com Itamar. Uma hora depois, o governador divulgou nota cancelando a licença de 43 dias do Executivo, que serviria para fazer a campanha para a presidência do PMDB – já que uma semana bastava para recuperar-se da operação.
Itamar volta amanhã a São Paulo, onde terá encontro com os peemedebistas paulistas, organizado pelo ex-governador Orestes Quércia. O ex-deputado Paes de Andrade estará presente e, segundo disse, ‘‘vai tentar entender o que se passa’’.

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