Governador pedirá ajuda a ACM para liberar empréstimo
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sábado, 07 de junho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Nem mesmo a aprovação definitiva da emenda da reeleição, que dá ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e aos atuais governadores o direito de concorrer novamente na eleição ano que vem, serviu para acelerar a definição partidária do governador Jaime Lerner, que ainda integra oficialmente o PDT. Lerner diz que não pretende atropelar o sucessão e que o momento agora é de tocar o governo.
Já esperava a confirmação da emenda no Senado, e como sempre, não estou disposto a conduzir o meu governo com precipitações, alega o governador, que aposta na confiança popular para a sua recondução. Definitivamente não estou preocupado com o partido a que vou me filiar. Quando chegar o momento certo, tomarei uma posição.
O chefe da Casa Civil, Rafael Greca, afirma que a indefinição de Lerner e do grupo não prejudica a reeleição. Temos até setembro para definir o nosso rumo. O momento agora é de governar, reforça o ex-prefeito de Curitiba, que diz ter uma única certeza, que Lerner já é candidato colocado.
Mas o despojamento partidário do governador não se confirma na prática. Tentou com unhas e dentes se filiar no partido do presidente Fernando Henrique, mas bateu de frente com antigos adversários, o ex-governador Álvaro Dias e o senador Osmar Dias. Conformado, chegou até a cogitar a criação de um novo partido. O PFL é hoje uma opção, mas Lerner resiste.
Na quarta-feira, Lerner vai Brasília para receber uma homenagem e aproveita a cerimônia para conversar com o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Greca garante que o encontro vai se restringir à liberação dos empréstimos bloqueados pela manobra dos senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. No entanto, mais uma vez a conversa deve esbarrar na questão partidária.
O PFL quer o governador nos seus quadros. Várias investidas já foram feitas. A última envolveu o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, que durante uma viagem a Florianópolis, conversou por telefone com o embaixador do Brasil em Portugal, ex-presidente nacional do PFL Jorge Bornhausen. O convite foi reforçado, mas ainda é visto com reservas. A imagem de político de centro-esquerda, vendida pelo grupo de Lerner, estaria em jogo.


