Governador pede ''juízo'' para oposições
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segunda-feira, 18 de janeiro de 1999
Gerson Camarotti 
O governador do Acre, Jorge Viana (PT), desembarca em Minas Gerais hoje - onde vai reunir-se com outros governadores de oposição para discutir as finanças estaduais (leia mais na página seguinte) - disposto a defender a formalização de um pacto da oposição com o presidente Fernando Henrique Cardoso, a ser negociado pelo candidato derrotado à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesma proposta ele levará ao presidente, com quem se encontrará na quinta-feira, em Brasília. As oposições precisam ter juízo, diz Viana. O presidente precisa ter um gesto de grandeza, acrescentou.
Segundo Viana, na busca do entendimentos das forças políticas divergentes, o mais difícil já aconteceu, que foi o encontro de Lula com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no final do ano passado. O Lula é o melhor interlocutor que pode existir pelas oposições, frisou o governador. Se do outro lado Fernando Henrique conseguir segurar seus aliados fisiológicos e representantes da centro-direita, por que não daria para chegar ao entendimento?, questionou.
Viana defende o entendimento baseado no sucesso inicial do pacto celebrado na semana passada no Estado, quando conseguiu aprovar na Assembléia Legislativa um pacote de medidas que reduz as despesas em 20%, inclusive com cortes salariais: ele diminuiu o orçamento do Estado de R$ 590 milhões para R$ 536 milhões anuais. Pelo acordo,todos os órgãos e poderes aceitaram diminuir os salários, investimentos e manutenção - inclusive com a redução de diárias, cargos comissionados, viagens - e foi fixado um subteto de R$ 9 mil para os salários.
Parece pouco, mas para um Estado em que 85% das receitas dependem de repasses contitucionais do Fundo de Participação dos Estados (FPE), torna-se significativo, principalmente porque o governo federal desconta compulsoriamente 12% dos repasses mensais para o pagamento da dívida com a União, que é de R$ 650 milhões. Isso foi feito para que a gente possa voltar a normalidade, disse o governador. Em vez de ter um governo caloteiro, o Acre vai poder honrar seus compromissos nesse novo entendimento.
O político petista criticou a moratória decretada por Itamar Franco, em Minas Gerais, mas destacou que a medida serviu para mostrar que o Brasil não pode continuar no rumo que estava indo e que a moratória não é a saída. O entendimento com o governo federal, adiantou, passa por uma união entre todos os governadores, independentemente do viés ideológico-partidário. Eu espero que os governadores eleitos repensem essa posição e ao invés de ficar em dois blocos façam um bloco único dos governadores que querem o bem do Brasil, disse Jorge Viana. Falo isso com a experiência aqui do Acre, onde o diálogo parecia impossível e, em tão pouco tempo, já fechamos um acordo.
O governador recém-eleito também defendeu a cobrança de contribuição sobre os vencimentos dos servidores inativos e dos pensionistas da União. Não tenho muita coisa para ensinar, mas também não estou disposto a desaprender, avisou. Eu sou favorável e alguém tem que ter a coragem de dizer isso, frisou. Segundo ele, existem três tipos de aposentados no Brasil: o velhinho que ganha pouco; o Fernando Henrique, que simboliza aqueles que estão numa fase intermediária de salário; e têm os marajás, que são premiados porque se aposentam mais cedo e ganham uma fortuna.
Essas pessoas devem ser taxadas, afirmou. Para Jorge Viana, o ideal seria estabelecer um teto para os aposentados. E explicou: se por exemplo o teto é de R$ 9 mil para quem está na ativa, o aposentado tem que receber no máximo R$ 4.000 ou R$ 5.000. Até porque boa parte dos aposentados não ganham nem R$ 1.000, comentou. No caso dos idosos, acrescentou, só restaria ao governo não cobrar-lhes nada e ainda pedir desculpas pela forma como essas pessoas vêm sendo mal tratadas pelo País. Nessa discussão, temos que sair de uma situação de completa hipocrisia.


