O governador do Acre, Jorge Viana (PT), desembarca em Minas Gerais hoje - onde vai reunir-se com outros governadores de oposição para discutir as finanças estaduais (leia mais na página seguinte) - disposto a defender a formalização de um pacto da oposição com o presidente Fernando Henrique Cardoso, a ser negociado pelo candidato derrotado à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesma proposta ele levará ao presidente, com quem se encontrará na quinta-feira, em Brasília. ‘‘As oposições precisam ter juízo’’, diz Viana. ‘‘O presidente precisa ter um gesto de grandeza’’, acrescentou.
Segundo Viana, na busca do entendimentos das forças políticas divergentes, ‘‘o mais difícil já aconteceu’’, que foi o encontro de Lula com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no final do ano passado. ‘‘O Lula é o melhor interlocutor que pode existir pelas oposições’’, frisou o governador. ‘‘Se do outro lado Fernando Henrique conseguir segurar seus aliados fisiológicos e representantes da centro-direita, por que não daria para chegar ao entendimento?’’, questionou.
Viana defende o entendimento baseado no sucesso inicial do pacto celebrado na semana passada no Estado, quando conseguiu aprovar na Assembléia Legislativa um pacote de medidas que reduz as despesas em 20%, inclusive com cortes salariais: ele diminuiu o orçamento do Estado de R$ 590 milhões para R$ 536 milhões anuais. Pelo acordo,todos os órgãos e poderes aceitaram diminuir os salários, investimentos e manutenção - inclusive com a redução de diárias, cargos comissionados, viagens - e foi fixado um subteto de R$ 9 mil para os salários.
Parece pouco, mas para um Estado em que 85% das receitas dependem de repasses contitucionais do Fundo de Participação dos Estados (FPE), torna-se significativo, principalmente porque o governo federal desconta compulsoriamente 12% dos repasses mensais para o pagamento da dívida com a União, que é de R$ 650 milhões. ‘‘Isso foi feito para que a gente possa voltar a normalidade’’, disse o governador. ‘‘Em vez de ter um governo caloteiro, o Acre vai poder honrar seus compromissos nesse novo entendimento’’.
O político petista criticou a moratória decretada por Itamar Franco, em Minas Gerais, mas destacou que a medida serviu para mostrar que ‘‘o Brasil não pode continuar no rumo que estava indo e que a moratória não é a saída’’. O entendimento com o governo federal, adiantou, passa por uma união entre todos os governadores, independentemente do viés ideológico-partidário. ‘‘Eu espero que os governadores eleitos repensem essa posição e ao invés de ficar em dois blocos façam um bloco único dos governadores que querem o bem do Brasil’’, disse Jorge Viana. ‘‘Falo isso com a experiência aqui do Acre, onde o diálogo parecia impossível e, em tão pouco tempo, já fechamos um acordo’’.
O governador recém-eleito também defendeu a cobrança de contribuição sobre os vencimentos dos servidores inativos e dos pensionistas da União. ‘‘Não tenho muita coisa para ensinar, mas também não estou disposto a desaprender’’, avisou. ‘‘Eu sou favorável e alguém tem que ter a coragem de dizer isso’’, frisou. Segundo ele, existem três tipos de aposentados no Brasil: o velhinho que ganha pouco; o Fernando Henrique, que simboliza aqueles que estão numa fase intermediária de salário; e têm os marajás, que são premiados porque se aposentam mais cedo e ganham uma fortuna.
‘‘Essas pessoas devem ser taxadas’’, afirmou. Para Jorge Viana, o ideal seria estabelecer um teto para os aposentados. E explicou: se por exemplo o teto é de R$ 9 mil para quem está na ativa, o aposentado tem que receber no máximo R$ 4.000 ou R$ 5.000. ‘‘Até porque boa parte dos aposentados não ganham nem R$ 1.000’’, comentou. No caso dos idosos, acrescentou, só restaria ao governo não cobrar-lhes nada e ainda ‘‘pedir desculpas’’ pela forma como essas pessoas vêm sendo mal tratadas pelo País. ‘‘Nessa discussão, temos que sair de uma situação de completa hipocrisia’’.

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