Arquivo FolhaApenas amigosLerner: ‘Participei da campanha só com meu apoio político’O governador Jaime Lerner (PDT) negou ontem, em Brasília que o Palácio Iguaçu tenha pago três pesquisas de opinião na disputa eleitoral em Londrina com dinheiro ‘lavado’ pela Asempre (Consultoria e Assessoria Empresarial), uma das empresas ‘fantasmas’ investigadas pela CPI dos Títulos Públicos. Lerner diz que a denúncia feita pelo senador Roberto Requião (PMDB) foi ‘‘inventada’’ e não tem procedência.
‘‘Eu participei da campanha de Antonio Belinati e dei apenas o meu apoio político, com toda a coerência’’, declarou. O pedetista encontrou-se com a comitiva de lideranças empresariais, políticas e sindicais no aeroporto de Brasília para dar as orientações finais ao prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT) e ao presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), José Carlos Gomes de Carvalho, antes das audiências com os senadores.
O governador retornou de sua viagem ao Chile. No Distrito Federal, ele participou pela manhã de uma cerimônia na Base dos Fuzileiros Navais. Lerner recebeu a comenda ‘‘Grã Cruz da Ordem do Mérito Naval’’.
Surpreso com os cheques ‘fantasmas’ tornados públicos por Requião anteontem, Lerner tratou de minimizar a denúncia. ‘‘É mais um assunto que este senador (Requião) está inventando. Quem teve a coragem de criar um assassinato para ser governador é capaz de tudo’’, atacou. O pedetista referiu-se ao caso Ferreirinha, da campanha eleitoral de 90, quando Requião acusou a família do adversário José Carlos Martinez de fazer grilagem na região de Assis Chateaubriand. Lerner disse que Requião tenta todo dia ‘‘criar uma novela contra o governo do Estado’’. ‘‘Ele tem interesses eleitorais em jogo’’, avalia o governador.
Quanto ao lobby pelo desbloqueio dos empréstimos, Lerner fez questão de dizer que a caravana não foi idéia sua. ‘‘Não é uma posição de governo e sim a vontade das lideranças políticas e empresariais’’, discursou.
O governador voltou a garantir a capacidade de endividamento do Estado para o financiamento dos empréstimos, paralisados pela CAE. ‘‘O BID e o Bird fizeram exaustivas análises. Nós temos a contrapartida, sim, senão não estaríamos envolvidos nesta briga’’, explicou.
Lerner, que voltou a dizer que o Paraná está sendo vítima de discriminação, baseou-se nas análises do secretário do Planejamento, Miguel Salomão, para dar as garantias aos empréstimos internacionais. Salomão diz que de acordo com os dados do Banco Central, a dívida mobiliária do Paraná em fevereiro deste ano foi de R$ 403 milhões. ‘‘Abaixo dos débitos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais’’.

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