O Mato Grosso do Sul está sem governador desde domingo, quando Wilson Barbosa Martins (PMDB) deixou o cargo, que será assumido por José Orcírio Miranda dos Santos (PT). Martins assinou na última sexta-feira todos os atos, entre eles a demissão do primeiro e segundo escalões e viajou para a cidade de São Paulo, onde se hospedou na casa de uma de suas filhas e está realizando exames médicos de rotina, com passagens marcadas para Gramado (RS), onde passará as férias. Ele não vai comparecer à transmissão do cargo na sexta-feira.
Segundo um assessor do gabinete do governador, tudo que tinha de ser feito está pronto. O vice-governador Antonio Brás Mello (PSDB) reassumiu o cargo de prefeito de Dourados, a segunda maior cidade do MS depois da capital, e o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Londres Machado (PSDB), está cuidando dos preparativos da posse do governador eleito, mais conhecido por Zeca do PT. Diante dessa situação, quem assumiu o governo do Estado é o secretário de governo, Plínio Rocha, que despacha com secretários e cuida da administração.
O Diário Oficial do Estado de anteontem publica a decisão de Wilson Martins em exonerar secretários de Estado e dirigentes da autarquias a partir do dia 1º. Para Zeca do PT, o procedimento de Martins não foi nenhuma surpresa, ressaltando que ‘‘nunca vi tantos desmandos em um governo do Estado. Vou levar às barras dos tribunais os responsáveis por essa situação em que está o Mato Grosso do Sul’’. O petista lembrou que ‘‘só nos restam R$ 0,27 para cobrir o custeio da máquina administrativa deste Estado. Vamos assumir uma dívida de R$ 200 milhões somente com os fornecedores, e em cima disso tem também salários atrasados e outros compromissos’’.
Bernardo O novo secretário de Finanças do Estado, Paulo Bernardo, disse ontem que incluindo salários atrasados, a dívida herdada chega a R$ 300 milhões. Segundo ele, a prioridade será o pagamento de pessoal. A folha, que consome R$ 30 milhões/mês, está atrasada desde novembro. Esta semana, a Justiça bloqueou as contas do governo para que sejam pagas as duas folhas e o 13º salário atrasados, mas a decisão é válida somente até hoje, não atingindo o governo de Zeca do PT.
Bernardo explicou que a arrecadação mensal do Estado é de R$ 80 milhões/mês, enquanto a despesa chega a R$ 92 milhões. ‘‘Precisamos baixar o facão e garantir uma economia de guerra’’, afirmou. O novo secretário disse que o governo não pretende demitir pessoal, mas sabe que existem servidores fantasmas, que serão exonerados.
O custeio da máquina, que consome R$ 10 milhões, será reduzido pela metade. ‘‘Também vamos implantar um programa de combate à sonegação de impostos, hoje em 40%, antecipou. Ele também pretende rever contratos de prestação de serviço e de compras. Bernardo estima que o governo vai demorar pelo menos um ano para colocar a ‘‘casa em ordem’’.
Em Campo Grande, o prefeito André Puccinelli (PMDB) anunciou uma reestruturação em seu governo para a próxima semana. Para tanto, pretende demitir mais de 400 pessoas que exercem cargos de confiança, visando se livrar das nomeações assumidas durante a campanha de 96, quando foi eleito. Dessa forma, centenas de diretores de escola, creches, postos de saúde, chefes de repartições e até secretários podem começar o ano sem os cargos que ocupam atualmente. (Colaborou Patrícia Zanin)Arquivo FolhaHerançaPaulo Bernardo assume secretaria e dívidas somam R$ 300 milhõesAgência Estado

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