A única acusação que Itamar Franco não está disposto a admitir é a de ser responsável ou de ter permitido irregularidades em seu governo. O governador não se cansa de manifestar o quanto preza sua imagem de ‘‘homem austero’’.
‘‘Posso não saber se A ou B está cometendo um ato irregular, mas quando sei, faço uma auditoria, peço ao Ministério Público que investigue’’, afirma, lembrando que ao deixar o Planalto entregou ao MP um amplo relatório feito por uma comissão que investigou todas as denúncias que pesavam sobre o Executivo.
Reiterando que não pretende omitir-se de nenhuma responsabilidade, desafia: ‘‘Assumo tudo, mas quero saber quem é que roubou esse dinheiro. Como é que um ministro tão importante em meu governo não sabia? Ele sabia, dava palpites em tudo, as pessoas diziam que era o primeiro-ministro, como não sabia disso?’’
Itamar diz que sua indignação não tem nada de pessoal contra FHC. ‘‘Tenho uma posição de confronto político com ele’’, afirma. ‘‘É o governo mais entreguista da história contemporânea da República e está rodeado de lama; na minha ante-sala presidencial nunca foi encontrada lama porque, se tivesse, o sapato dele teria se sujado, já que ele não saía de lá.’’ (M.G.)

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