O governador Jaime Lerner reformulou ontem as críticas feitas ao senador Roberto Requião (PMDB). Na quarta-feira, Lerner disse que ‘‘este senador estava de pijama de presidiário, de condenado, de réu e deram a ele uma toga para ser o juiz do mundo’’. Requião não gostou e encaminhou pedido à Produradoria Geral da República para que Lerner seja denunciado ao Superior Tribunal de Justiça pelos crimes de calúnia, injúria e difamação.
Ontem, o governador disse que usou as palavras erradas. ‘‘O que eu gostaria de ter falado vou expressar agora. Camisa de força não é toga e quem está dentro dela não é juiz’’, afirmou. A provocação, em forma de dito popular, livra o governador da ameaça de processo, pois não faz referência direta ao senador Requião.
Lerner refreou a língua, mas não mudou o tom das críticas contra Requião. O governador voltou a acusar o senador de estar usando politicamente a relatoria da CPI dos Títulos Públicos. ‘‘Sabemos que quem inventou um Ferreirinha pode inventar qualquer coisa’’, afirmou. O governador disse que falta ‘‘serenidade e maturidade política’’ a Requião para o exercício de senador da República.
Segundo Lerner, o único governador do Paraná que emitiu títulos públicos para o pagamento de precatórios foi Álvaro Dias. ‘‘Foram operações que ninguém questionou’’, afirmou.
O governador disse que todas as operações da Banestado Corretora com os títulos de Santa Catarina e Pernambuco foram regulares. ‘‘O Banestado é um exemplo para os bancos estaduais do país e está a disposição para os esclarecimentos necessários. Não temos o que temer’’.

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