Governador irá trabalhar somente um dia da semana
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sexta-feira, 07 de agosto de 1998
Leandro Donatti 
Candidato à reeleição, o governador Jaime Lerner (PFL) vai trabalhar somente um dia da semana durante os meses que antecedem às eleições de outubro. O governador concentrará todos seus despachos e deliberações nas quartas-feiras. O restante, dedicará ao seu projeto eleitoral.
O anúncio foi feito ontem pelo coordenador da agenda do governador, João Elias de Oliveira. O ex-ouvidor geral explicou que a nova agenda começa a vigorar na segunda-feira e servirá para engrossar a campanha. É no interior que a campanha está deslanchando, considerou.
Antes, Lerner dedicava dois dias da semana para desempenhar funções no Palácio Iguaçu e participar de cerimônias discretas. As terças e quartas-feiras foram reservadas para atos administrativos e acompanhamento das atividades nas secretarias de Estado.
A disputa acirrada entre o governador e o candidato do PMDB ao governo, senador Roberto Requião, verificada nas últimas pesquisas eleitorais, também pesou na decisão de Lerner, que passa a figurar mais como candidato do PFL à reeleição que governador de Estado.
O secretário do governo, José Cid Campêllo Filho, disse que o volume de despachos diminuiu consideravelmente, até pelas limitações impostas pela legislação eleitoral. E que seus teores podem ser deliberados uma vez por semana sem complicações para a agenda do candidato.
A redução de jornada não altera o salário do governador. Campêllo Filho disse que a nova agenda não deve ser levada ao pé da risca e que a concentração dos despachos nas quartas-feiras não significa que o governador vai parar de trabalhar nos outros dias. Nas idas ao interior, ele continuará vistoriando as obras do governo, assinalou.
A mais nova investida dos lerneristas, na caça ao voto, abre espaço para setores do PFL voltarem a defender a licença de Lerner nos últimos da campanha. O grupo, liderado presidente da Assembléia Aníbal Khury (PFL), ainda não descartou a possibilidade, considerada a mais coerente e segura diante da oposição.
Lerner resiste à tese e tem dito a aliados que está conseguindo compatibilizar atos de candidato com atos de governador. Em caso de afastamento, assume o presidente do Tribunal de Justiça, Henrique Lenz César. Khury e a vice-governadora Emília Belinati (PTB) estão impedidos de tomar posse pela legislação eleitoral.


