Governador interino quer dar aumento de salário
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quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Agência Folha Belém 
O governador interino do Pará, Hélio Gueiros Jr. (PFL), anunciou anteontem à noite que estuda a concessão de reajuste salarial ao funcionalismo público. Essa medida contraria a política salarial do titular do cargo, Almir Gabriel (PSDB), que demitiu funcionários e não deu reajuste nos três anos de governo, para adaptar o Estado à lei Camata. Essa lei limita o gasto com salários em 60% do orçamento. Gabriel se recupera, em São Paulo, de cirurgia vascular. O vice assumiu na sexta-feira.
Segundo o secretário-adjunto de Fazenda, Idalécio Moreira, nomeado por Gueiros Jr., a folha atual já compromete a receita do Estado em 62%. Gueiros Jr., que já demitiu cinco secretários de Estado de Gabriel, disse ainda que vai tirar o pelotão da Polícia Militar de Serra Pelada. É mais um ato para a Vale ver que o Pará tem governo. Não vou subsidiar polícia para ninguém. Ela (a Vale) que banque sua segurança, afirmou ele.
Desde o ano passado, quando garimpeiros interditaram 13 sondas de prospecção mineral, um grupo de 54 policiais militares é mantido no garimpo de Serra Pelada, em Curionópolis (630 km ao sul de Belém), onde existe a vila, com cerca de 4.500 moradores, e as instalações do projeto Ouro Serra Leste, da Companhia Vale do Rio Doce. A reportagem apurou que, hoje, não há mais tensão contra a Vale, mas a polícia registra semanalmente roubos, tráfico de maconha e, sobretudo, lesões corporais em brigas entre moradores. Sem a PM, essa violência tende a aumentar e os prejudicados seriam os moradores.
O governador interino disse também que a arrecadação de impostos está horrível, porque os fiscais ficam nos gabinetes. Toda a fiscalização vai trabalhar na rua. Segundo a Secretaria da Fazenda, dos 400 fiscais, há cem nos gabinetes e, desses, apenas 75 podem ser deslocados. O presidente do PFL do Pará, Hélio Gueiros, pai do governador, fez ontem uma visita formal de apoio ao filho. Não houve nenhuma medida drástica. Dou total apoio e acho que não há nada fora do comum para ser apaziguado, disse o pai. Ex-governador, Gueiros disse que vai disputar as eleições de 98, mas não falou qual cargo nem em que coligação. Sou candidato a qualquer candidatura. Se o povo quiser, eu volto.


