O governador Itamar Franco evitou ontem polemizar com Fernando Henrique. Ele não quis comentar a declaração do presidente de que há governadores que se parecem mais com Joaquim Silvério dos Reis do que com Tiradentes. ‘‘O presidente fala obliquamente. Quando ele falar diretamente, eu respondo. Ele se referiu a mim? Ele citou meu nome? Então...’, disse. Itamar recebeu ontem em Belo Horizonte o presidente da OAB em Minas, Marcelo Leonardo.
Leonardo disse que poderá atuar, se convidado, como intermediário para buscar uma solução para a crise entre o Estado e a União. Para ele, a União está ferindo o pacto federativo e tratando Minas de forma desigual, ao reter os recursos do Estado. ‘‘Nos preocupa muito que um chefe do executivo estadual não tenha condições de dispor sobre os recursos tributários do Estado. Isso nos parece estranho em termos de direito constitucional’’, disse.
Itamar recebeu também o cônsul-geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, Cristobal Orogco, que saiu do encontro dizendo que a visita foi ‘‘de cortesia’’. No início da noite o governador falou, por telefone, com o presidente nacional do PT, José Dirceu, mas a assessoria não divulgou o motivo da conversa. Hoje, ele recebe o presidente nacional do PSB, Miguel Arraes.
Em Maceió, o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), disse ontem que FHC piorou a situação ao comparar Itamar a Silvério dos Reis. ‘‘Ele não deveria ter chamado Itamar de traidor. Isso só complicou ainda mais a situação’’, afirmou Lessa. Na segunda-feira, após a sessão de abertura dos trabalhos na Assembléia Legislativa de Alagoas, Lessa acusou Fernando Henrique de ter implantado uma ditadura econômica, dando liberdade aos banqueiros para intervir nos Estados. ‘‘Nós derrubamos a ditadura militar e agora vivemos uma ditadura econômica, onde o presidente dá carta branca aos banqueiros para intervir nos Estados e municípios.’
Para Lessa, a governabilidade dos Estados depende do pacto federativo. ‘‘Ou o governo federal respeita a autonomia dos Estados ou vamos viver um longo período de ingovernabilidade’’, previu o governador. Ele confirmou que viaja amanhã a Brasília, onde pretende se encontrar com os demais governadores de oposição. Segundo Lessa, o local da reunião não será divulgado para não ter caráter oficial. ‘‘Vamos afinar o nosso discurso e definir as propostas que apresentaremos ao presidente’’, adiantou.

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