Valmir Denardin
Um protesto de sindicalistas, liderados por professores estaduais, levou ontem o governador Jaime Lerner (PFL) a transferir de Foz do Iguaçu para São Miguel do Iguaçu a assinatura de convênios para a implantação de núcleos de desenvolvimento de pequenas indústrias em municípios do Extremo-Oeste do Estado.
A assinatura dos convênios do projeto Galpões da Produção (barracões com capacidade para até 12 indústrias) estava prevista para o encerramento de um encontro de Lerner com prefeitos e deputados da região, no Floresta Clube, em Foz. Sete secretários estaduais acompanhavam o governador. Mas um grupo de cerca de 30 sindicalistas conseguiu entrar no clube com faixas e cartazes escondidos em sacolas.
Em vários momentos do encontro, os manifestantes vaiaram o governador. Eles alegavam que Lerner proibiu o desconto na folha de pagamento dos professores da contribuição destinada à APP-Sindicato. Essa atitude, na visão dos professores, seria uma maneira de enfraquecer o sindicato da categoria.
Ao final de seu discurso, Lerner disse que os manifestantes não iriam fazê-lo ‘‘perder a paciência’’. Ele afirmou que a contribuição sindical não pode ser compulsória. Um grupo de, no máximo, dez sindicalistas se aproximou do governador e começou a chamá-lo de ‘‘mentiroso’’ e ‘‘ditador’’, exigindo que fosse lido um ‘‘manifesto’’ preparado pelos professores.
Lerner se retirou do salão. O assessor especial do governador, Guaraci Andrade, chegou a discutir, de dedo em riste, com os manifestantes. Um policial militar interveio e encerrou a discussão.

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