Governador do RS era o queridinho do Planalto
Governador do RS
era o queridinho
do Planalto
O governador gaúcho Antônio Britto era a primeira opção do ex-presidente Itamar Franco para ser seu sucessor no cargo. Britto, então ministro da Previdência, achou que era jovem para o Palácio do Planalto e preferiu concorrer ao governo de seu Estado. Como ainda não existia reeleição, o ministro da Fazenda de Itamar, Fernando Henrique Cardoso foi então convencido a ser candidato e a apressar o plano Real. Ganhou a eleição em primeiro turno. Hoje, Britto é considerado um inimigo por Itamar (que não o perdoa por não ter ficado a seu lado na recente convenção do PMDB que apoiou a reeleição), mas é um dos mais confiáveis aliados de FHC e provavelmente o governador mais bem tratado pelo Planalto, mesmo não sendo um tucano oficial.
Ciumentos, alguns governadores do PSDB o chamam de queridinho do Planalto. Outros, mais realistas, como o paulista Mário Covas, simplesmente rendem-se à evidência de que o colega gaúcho é o governador que mais nomeia em Brasília. Britto, de fato, coleciona amigos na Esplanada e tem tido muito a agradecer. Os volumes dos investimentos em agricultura no governo Fernando Henrique são os maiores da história do Rio Grande, diz o governador. No total, são mais de R$ 800 milhões só em investimentos no setor. O pessoal fala da GM: o doutor Fernando Henrique botou três GMs na agricultura do Estado, afirma Antônio Britto, referindo-se aos R$ 250 milhões que o Estado repassou para a General Motors para conseguir a instalação da montadora no RS.
Tanto carinho com os gaúchos já está surtindo resultado, adianta o governador. Quem é que está na frente nas eleições para presidente no Rio Grande do Sul?, pergunta. É o Fernando Henrique: o Lula perde a eleição hoje aqui, aposta Britto, com base em pesquisas recentes. Se o fato vier a se confirmar, este terá sido o investimento eleitoral mais bem feito do presidente, que teve em 1994 sua maior derrota na terra dos gaúchos.
Para a oposição, a eleição terá um caráter plebiscitário. O candidato do PT, Olívio Dutra, adianta que seu discurso será de crítica tanto ao governo de Antônio Britto quanto ao de FHC. Vamos fazer uma campanha para derrotar a política do desemprego, da quebradeira dos pequenos, do descaso com a agricultura, do desmonte do Estado, que é a mesma do governo estadual e federal.
Ao ouvir que os R$ 250 milhões repassados pelo governo à GM para instalação da montadora no Estado serão um dos focos da oposição no palanque, Britto reage com muita calma: Deus queira que este seja o ponto, porque a melhor coisa do mundo é ter de explicar a vitória; duro é ter de explicar por que durante 20, 30 anos nenhuma indústria veio para o Rio Grande do Sul. (AE)





