Governador desiste do pedágio-modelo
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quarta-feira, 13 de abril de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O governador Roberto Requião (PMDB) afirmou ontem, em Londrina, que o Governo do Estado ''já abandonou a idéia'' da criação de pedágios-modelo, anunciada por ele no último dia 31 de janeiro. A declaração foi feita no Parque de Exposições Governador Ney Braga, onde Requião visitou durante pouco mais de uma hora a Exposição Agropecuária e Industrial. ''Demonstramos que é possível recuperar todas as nossas estradas sem pedágio. (O pedágio-modelo) Era uma idéia só para efeito de comparação, para mostrar que um pedágio pode ser barato. Mas nem dele precisamos'', declarou o governador.
Pela proposta do Estado, ante estudos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), praças mantidas pelo Paraná com pessoal terceirizado seriam implantadas ainda este semestre na PR-323, na região Noroeste. Pelas projeções do levantamento, a previsão era que as tarifas custassem 18% dos valores praticados hoje pelas concessionárias de rodovias. Na época, o Palácio Iguaçu garantia ter em caixa recursos da ordem de R$ 800 milhões tanto para a recuperação inicial dos trechos, antes que as praças fossem montadas, quanto para a manutenção das rodovias. Nas palavras de Requião, ontem, esse valor ganhou um fim único.
''Vai todo para o programa de recuperação de rodovias. Já fizemos 1,8 mil quilômetros de estradas e investimos R$ 200 milhões. Com esses R$ 800 milhões, faremos mais 4 mil quilômetros'', explicou.
A passagem do governador pelo Parque Ney Braga foi bastante tumultuada, já que a assessoria do Palácio Iguaçu barrou qualquer possibilidade de entrevista coletiva aos jornalistas de Londrina e região presentes. Em uma das poucas oportunidades em que Requião conversou com a imprensa, desdenhou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara que proíbe a prática de nepotismo no âmbito das administrações direta e indireta ou fundacional do Poder Executivo (leia na página 5). Questionado sobre o assunto, já que mantém parentes no primeiro escalão do Governo do Estado, foi taxativo: ''O correto seria nomear por competência e não, por exemplo, cabo eleitoral, sem verificar ele é capaz ou não para o trabalho'', resumiu.
Requião voltou a alfinetar o governo federal a respeito da produção e exportação de soja transgênica no Paraná. Na sexta-feira passada, na abertura oficial da Exposição, o ministro da Agricultura Roberto Rodrigues chegou a afirmar que os produtores seriam os únicos a perder com a proibição do Estado no Porto de Paranaguá. ''Eles perdem renda à medida em que têm de levar produtos para exportar mais longe'', definiu Rodrigues, na ocasião. Ontem, Requião comentou que isso seria ''uma bobagem''. ''O ministro não pode ter dito isso. Até porque, está comprovado que a soja transgênica é mais sensível à seca'', justificou, para completar: ''Quem plantou transgênico não vai receber pela perda da safra, pois o Estado está advertindo há tempos que isso é um mau negócio''.


