Governador derruba cerca na surdina
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2003
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba Uma operação-surpresa comandada pela Secretaria de Estado de Obras Públicas derrubou, durante a noite de segunda feira e a madrugada de ontem, os 350 metros de grades que cercavam o Palácio Iguaçu, a sede do governo do Paraná, em Curitiba. A operação foi iniciada às 22h26 e só terminou ontem pela manhã. O sigilo da operação, mantida em segredo ao longo do dia, foi uma determinação do governador Roberto Requião (PMDB).
Fontes próximas ao governador contam que ele não queria ''um circo'' na retirada das grades, com receio que os movimentos sociais que pretendiam fazer um ato político na ocasião se empolgassem e retirassem também as grades da Assembléia Legislativa e Tribunal de Justiça (TJ), prédios vizinhos ao Palácio.
A derrubada das cercas, de 2,2 metros de altura, foi promessa de campanha. Requião não esteve presente, mas vários assessores próximos assistiram ao trabalho.
As cercas foram colocadas há três anos na praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, depois que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acampou durante seis meses em frente à sede do governo, cobrando do ex-governador Jaime Lerner (PFL) agilidade nos assentamentos. As grades foram manufaturadas e instaladas pela Prefeitura de Curitiba, comandada por Cassio Taniguchi (PFL), aliado de Lerner e inimigo de Requião.
Uma equipe de 15 pessoas, com maçaricos, trabalhou na remoção. As cercas estão guardadas no batalhão da PM Coronel Dulcídio, no Bairro Tarumã. Segundo o Palácio Iguaçu, o governador ainda não decidiu qual o destino das grades.
A Secretaria de Obras pagou R$ 5 mil pela retirada das grades, de acordo com o diretor-presidente do Departamento Estadual de Construção e Obras e Manutenção (Decon), Cezar Benoliel. A versão oficial para o trabalho noturno é que isso evitaria tumulto e congestionamento no trânsito da região. Além disso, o ato político que vinha sendo organizado por movimentos populares retardaria a retirada. Requião tem dito que a praça é um espaço público e não um jardim particular.
O governo estuda a possibilidade de fazer uma espécie de memorial, com um pedaço de grade, em frente ao Palácio. A inauguração desse memorial contaria com a presença de movimentos populares.


