Governador defende a polícia comunitária
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quinta-feira, 24 de novembro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Críticas à política econômica do governo federal e referências detalhadas dos programas sociais desenvolvidos pela administração estadual Luz para Todos, Tarifa Social da Água, Leite das Crianças e isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) tomaram grande parte do discurso do governador Roberto Requião (PMDB), ontem, no encerramento da etapa de Londrina do I Congresso Internacional de Polícia Comunitária. (Leia mais na Folha Cidades)
Em relação à segurança, Requião anunciou para os cerca de 1,2 mil policiais presentes, as propostas salariais e de carreira previstas para a categoria. ''Estamos melhorando os salários. Encaminhamos mensagem à Assembléia Legislativa, privilegiando aqueles da Polícia Civil que têm curso superior. Também queremos que o soldado vá para a faculdade. A tropa não pode ser escravizada, o soldado esforçado tem que ascender até o comando da Polícia Militar (PM)'', discursou.
Na visita a Londrina, Requião dedicou pouco tempo para falar com a imprensa. Ao chegar ao Hotel Sumatra, onde foi realizado o congresso, o governador ''abençoou'' os repórteres, cinegrafistas e fotógrafos que o aguardavam na entrada do hotel. Gesticulou o sinal da cruz duas vezes e falou: ''Deixa eu benzer esse povo''. Após o discurso, ele respondeu a duas perguntas e afirmou que considera a polícia comunitária como a melhor saída para a segurança. ''É a nova forma da polícia. Não é o policial 'bate-pau', o policial fora da sociedade. É o policial que se integra na comunidade é um amigo, um companheiro que conhece as pessoas às quais presta serviço. Isso limita de forma drástica a violência. É a polícia dos Estados Unidos, do Japão, do Canadá, e é a polícia do Paraná que está dando exemplo para o Brasil''. Requião ainda refutou a necessidade de contratação de mais policiais. ''A população pede mais segurança. Policiais quem pedem são vocês das televisões e das rádios. O aumento do número de policiais não significa o aumento da segurança. Policiais mal pagos podem ser mais perigosos do que os delinquentes'', assegurou.
Durante seu discurso, o secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, cometeu um equívoco ao dizer que a polícia do Estado era a mais bem paga do país, o que gerou uma reação imediata da platéia. ''Na verdade, eu me equivoquei quando falei que hoje, a mensagem foi encaminhada na semana passada, mas hoje é a segunda mais bem paga do país. Não foi uma vaia, foi uma manifestação porque eu coloquei equivocadamente dizendo que o aumento era hoje. O que eu quis dizer de hoje, é que o hoje é relativo. A mensagem foi encaminhada'', justificou.
O secretário também considerou um equívoco a interpretação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), pedindo a suspensão do decreto 1557, assinado pelo governador. O decreto determina que nos municípios em que a Polícia Civil não contar com servidor de carreira para o desempenho das funções de delegado, o atendimento nas delegacias será realizado por um subtenente ou sargento da Polícia Militar. ''Não tenho conhecimento formal mas pelo o que eu li na imprensa é equivocada a Adin. Não substituímos nenhum delegado em nenhuma delegacia. Substituímos o bate-pau, o agente administrativo nomeado por um profissional da área da segurança pública, tirando a ingerência e o amadorismo da segurança. Então talvez tenha um equívoco na premissa'', disse.


