Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) defendeu ontem, em visita ao Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Paraná, a liberdade de expressão e a indepedência da mídia. O governador foi recebido pelo presidente do Sindicato, Abdo Kudry, que comanda a instituição há 25 anos. O governador afirmou que não tem ''problema algum com a mídia'' e deu sua ''visão ideal'' do jornalismo.
''Eu acho importantíssimo a diversidade de opinião'', afirmou Requião. Porém, sem se referir a nenhum veículo de comunicação específico, o governador criticou o que chamou de sabotagem. ''Eu só não acho importante a desconstrução de imagem em cima da desinformação, a sistemática ação de detração de um governo.'' O gernador salientou que tem apreço pela liberdade de opinião, mas ressaltou que é preciso também que a sua opinião seja respeitada. ''A mídia diz o que pensa e eu digo sempre o que eu penso'', comentou.
Para demonstrar a importância que dá à imprensa, o governador contou uma breve história de quando era prefeito de Curitiba, em 1985. Requião lembrou que era o primeiro prefeito eleito depois da ditadura e ''isso fez com que sua administração fosse coberta com boa vontade pela imprensa''. ''E eu estava achando a falta de crítica monótona.'' Por isso, Requião contou ter inventado o pseudônimo Carlos Schnauzer (o nome e a raça do cachorro de seu antecessor na prefeitura) e passou a escrever artigos contra a própria prefeitura em um jornal de um amigo seu. ''De manhã eu reunia o secretariado e lia o artigo e dizia: vocês vejam a crítica que estamos recebendo da imprensa do Paraná. Vocês tem que dar um jeito nisso.''
Quanto ao relacionamento da mídia com a administração pública, o governador afirmou que, na sua visão, a imprensa não deveria ter relacionamento com o poder público. ''A imprensa precisa ter independência absoluta. E essa independência eliminaria por exemplo as relações comerciais. A visão ideal é esta.'' Para o governador, ''a imprensa não poderia depender nunca de recursos públicos, mas essa não é a realidade brasileira''.
Kudry afirmou que desde que é presidente do Sindicato esta a é a primeira vez que recebe a visita de um governador. Como forma de homenagear Requião, Kudry entregou a ele uma caneta Mont Blanc, que classificou como um mino simples, humilde e sincero. ''Eu sou amigo do governador. Há muitos colegas que talvez não sejam. Mas eu me rogulho de ser amigo dele, desinteressadamente, porque a nossa amizade está próxima dos 43 anos'', discursou.

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