Curitiba - O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), criticou ontem as atitudes tomadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que culminaram nas denúncias de troca de apoio político por favorecimentos em dinheiro ou cargos dentro do governo federal. ''As denúncias decorrem de um erro de articulação'', ponderou ele, que esteve ontem na reunião semanal do secretariado, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
Luiz Henrique acredita que Lula tinha todas as armas nas mãos para fazer o melhor governo da história do Brasil, até mesmo pela esperança e pelo clamor popular. ''Ele poderia ter empurrado as reformas para votação no Congresso Nacional, mas optou por tentar fazer maioria, por busca de apoio e votos dentro do parlamento'', analisou.
O governador catarinense contou que chegou a ter uma conversa com Lula no início da administração federal pedindo que a articulação política fosse feita com os governadores e não com os deputados federais e senadores. ''Esse foi o primeiro erro do presidente. E ele não tem vontade de mudar. Novamente resolveu articular com os parlamentares em busca do apoio do PMDB em troca de ministérios. Ele errou de novo. E foi agora, depois das denúncias'', criticou.
Mesmo com as críticas ao governo Lula, Luiz Henrique aposta na honestidade e nos bons propósitos presidenciais. Por isso, ele (ao lado dos demais governadores do PMDB) acredita que o ideal é que os deputados federais e senadores do PMDB garantam a governabilidade. ''Queremos garantir governabilidade, mas sem vinculação, sem ministérios. Não queremos participar deste governo. E não estamos decidindo isso agora. Já era nossa decisão em março de 2003'', lembrou o governador.
Luiz Henrique aposta que o partido terá candidato próprio à presidência da República em 2006. Mas não se põe como candidato. Entretanto, cita todos os demais governadores do partido. Entre eles, Roberto Requião. ''Pode ser o Requião ou outro candidato. O importante é que ele leve nossa bandeira de descentralização dos recursos do Brasil, bandeira de municipalização. Essa bandeira já era defendida por Requião nas militâncias estudantis quando nos conhecemos em 1962.''

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