Goiânia - O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirmou ontem que havia alertado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ''há cerca de um ano e meio'', sobre o pagamento de ''mesada'' a deputados em troca de apoio ao governo federal. Segundo Perillo, dois deputados do PSDB do Estado foram procurados por um representante ''da base do governo'', que teria oferecido o pagamento de uma quantia mensal, além de um bônus no fim do ano.
''Era para trocar de partido, sair do PSDB e ir para a base do governo por uma mesada de R$ 40 mil por mês e R$ 1 milhão ao final do ano, de bônus'', afirmou, recusando-se a dar os nomes desses parlamentares, ''por uma questão de ética''.
A conversa com Lula, segundo ele, aconteceu quando o presidente foi a Rio Verde (GO) para visitar a fábrica da Perdigão, que, na época, comemorava a contratação do funcionário de número 5 mil. No caminho para o estabelecimento industrial, Perillo teria alertado Lula: ''Está havendo mesada no seu governo. Houve tentativa de comprar dois deputados meus.'' A visita do presidente à fábrica da Perdigão, na verdade, aconteceu em 5 de maio de 2004, há um ano e um mês e bem antes do início de 2005, quando o presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), afirmou ter contado a Lula que havia o pagamento de ''mesada'' para parlamentares.
Segundo o governador de Goiás, o presidente, que não sabia da história, teria reagido na época dizendo que apuraria o fato, mas também teria ressaltado que ''isso foi coisa que o Sérgio Motta introduziu'', referindo-se ao ex-ministro das Comunicações e braço direito do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. ''Eu retruquei: Estou falando que está acontecendo isso no seu governo'', lembrou Perillo.
Como a tentativa de suborno não se concretizou, o governador afirmou que deixou o assunto de lado e nunca mais falou sobre isso. Ontem, no entanto, ao ler as declarações de Jefferson nos jornais, Perillo relembrou toda história.
Ele confirmou, publicamente, as declarações ao discursar na solenidade de lançamento do Movimento Goiás Competitivo. Citando a entrevista do presidente nacional do PTB, disse que essa era a leitura mais importante do ano e que ela ''mostra que o Brasil está na contramão''.

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