O governador de São Paulo Mário Covas (PSDB) receberá alta médica hoje às 11 horas, quando dará uma entrevista coletiva no auditório do Incor (Instituto do Coração), em São Paulo. Internado desde o último dia 3, o governador foi operado no dia 14 para a retirada de um câncer na bexiga. Ao sair do hospital, Covas seguirá para a ala residencial do Palácio dos Bandeirantes, onde será acompanhado de uma equipe de enfermagem do Incor, além de ser supervisionado por médicos residentes do Departamento de Urologia e da equipe médica que o operou.
De acordo com o infectologista e médico particular do governador Davi Uip, o estado de saúde do governador é muito bom. Durante a sua internação, ele perdeu apenas 4 quilos, considerado pouco para o processo de tratamento longo como o que ele enfrentou. ‘‘Ele terá alta do hospital, mas não da doença’’, afirmou Uip, explicando que Covas será submetido a ‘‘um esquema muito rígido’’ dentro do Palácio dos Bandeirantes. Assim, por exemplo os médicos continuarão impondo restrições às visitas e ao retorno de Covas ao trabalho.
Se depender da opinião pessoal de Uip, o governador não comparecerá à cerimônia de posse no dia 1º. Segundo ele, o paciente precisa ainda de um tempo para adaptação à sua nova condição física. ‘‘Estamos lidando com uma cirurgia muito bem sucedida. Daí, a imaginar que ele pode voltar a uma vida normal é uma distância longa’’, ponderou Uip.
Ao deixar o Incor, o governador ainda estará usando duas sondas ligadas à bexiga reconstruída com parte de seu intestino. Estas sondas drenam urina dentro de uma bolsa plástica, que ficará escondida dentro das roupas. De acordo com o urologista Sami Arap, a bexiga reconstruída do governador ainda tem uma capacidade muito reduzida, cerca de 150ml.
De acordo com Arap, um dos seus assistentes, o médico Álvaro Sarkis, viajou sábado para Nova York, onde procurará o oncologista Howard Scher, do Memorial Hospital de Nova York, que possui a equipe mais prestigiada do mundo para o tratamento de câncer na bexiga.
A equipe do Incor enviou também sua impressão pessoal sobre a necessidade ou não de quimioterapia a partir da cirurgia. Arap espera receber da equipe médica norte-americana uma avaliação da necessidade ou não da quimioterapia e, havendo o tipo de sistema a ser adotado. Esta avaliação só deve ser enviada ao Brasil em uma ou duas semanas.
A equipe médica do governador não sabe precisar qual será o tempo necessário para o restabelecimento do paciente. De acordo com os médicos, cada paciente evolui de uma forma, o que torna difícil uma projeção. Levando-se em conta o prazo ‘‘surpreendente’’ do restabelecimento pós-operatório, os médicos imaginam que Covas retorne à vida normal rapidamente.Foto Arquivo FolhaNova vidaCovas: agora, esquema rígido vai impor ritmoRita Tavares
Agência Estado

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