O governador Jaime Lerner afirmou ontem que a privatização da Copel, prevista para outubro, e a da Sercomtel Celular, de Londrina, têm os mesmos motivos. ‘‘São as mesmas razões que hoje estão sendo apresentadas por um governo do PT (Nedson Micheleti, prefeito de Londrina) em relação à necessidade de privatização.’’
A Copel detém 45% das ações da Celular. No mês passado, Nedson anunciou a pretensão de vender a Celular, argumentando que a empresa ficará impossibilitada de competir no mercado com a entrada de três novas bandas a partir de 2002.
Lerner reafirmou que vê a venda da Copel como meio de resolver o déficit mensal da previdência do Estado. ‘‘A principal razão (da privatização) é o problema da previdência, que tem déficit de R$ 90 milhões por mês e vem dos rombos provocados na administração anterior, que colocou como estatutários 55 mil funcionários’’, afirmou.
O governador ainda apontou como justificativa a privatização de 80% das companhias de energia elétrica em todo o País. ‘‘Todos os recursos da Copel serão investidos na capitalização do fundo de previdência para poder liberar todo esse déficit que nós tínhamos, para poder investir na área social.’’
Questionado sobre a dívida de R$ 415 milhões junto ao Banco Itaú, Lerner não confirmou se vai usar parte dos recursos da venda da Copel para quitá-la. O débito é referente ao resgate das ações da Copel colocadas em caução de operação financeira que envolve títulos podres emitidos para pagar precatórios de Estados e municípios. ‘‘Esses títulos têm que ser honrados. E o governo do Estado vai fazer essa cobrança.’’ (C.O.)

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