Israel Reinstein
De Curitiba
O governador Jaime Lerner disse que não vai aceitar aumento de tarifas sem retomada das obras do Anel de Integração. ‘‘Não vamos admitir aumento sem a restauração de mil quilômetros de estradas’’, disse durante encontro em Foz do Iguaçu. Apesar das ameaças, ele afirmou que o governo está procurando um caminho para garantir os investimentos necessários nas rodovias.
E esse é o ponto comum entre as concessionárias, governo e empresários de transportes. Eles apostam na negociação. Apesar da ciranda de ações judiciais, as conversações entre as partes ainda não foram encerradas. ‘‘Se ficar na guerra de liminares, a briga vai demorar até dois anos’’, avalia o procurador jurídico do DER, Maurício Ferrante. ‘‘Existe tempo suficiente para sentarmos à mesa e resolver o problema de uma vez’’, afirmou o presidente da Fetranspar, Valmor Weiss.
Ferrante informou que o DER pretende recorrer, caso não saia uma resposta favorável ao governo estadual do recurso que ainda tramita no TRF de Porto Alegre. Apesar de entrar com recurso, o procurador afirmou que existe interesse do governo estadual em negociar e, em conjunto com as partes envolvidas, homologar um acordo junto ao TRF.
‘‘Se continuar como está e não houver negociação, será um deus-nos-acuda’’, disse o diretor da Fetranspar, Sérgio Malucelli. Mesma posição tem o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos (Sindicam), Diumar Bueno. O sindicalista considera que se for aplicado o reajuste de 116%, os caminhoneiros vão realizar protestos.
Mas Malucelli entende que nos próximos 30 dias – a ser contados da publicação da decisão em Diário Oficial até o reajuste – as transportadoras vão recorrer judicialmente. Mas vão forçar a nova discussão de preços e obras. A combinação do cronograma de obras e valor do pedágio é que está emperrando a uma solução do impasse. Governo e concessionárias entendem como ponto pacífico o reajuste das tarifas, o problema é o quanto de obras a ser feito com os reajustes.