Governador ameaça abandonar a Emater
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terça-feira, 09 de agosto de 2005
Luciana Pombo e Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A autarquização da Empresa de Assistência e Extensão Rural (Emater) é dada como certa pelo governador Roberto Requião (PMDB), que nem considera a hipótese de tirar o projeto de discussão na Assembléia Legislativa. Para Requião, a Emater já vive atualmente apenas com verbas do governo do Estado e tem que conviver com salários que variam entre R$ 340 e R$ 13 mil. ''A autarquização não vai retirar verba da Emater. Ao contrário. Irá dar condições para que os salários dos funcionários sejam disciplinados. Estamos fazendo o melhor. Nunca fazemos algo com o intuito de piorar'', declarou ontem, na entrevista coletiva após a reunião semanal do secretariado, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
Anteontem, representantes dos funcionários da Emater e do governo estadual reuniram-se na Assembléia Legislativa para tentar chegar a um acordo em relação ao projeto. Segundo o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), a intenção é votar a matéria na semana que vem. Por ser uma empresa pública, os funcionários da Emater têm direito a reajustar seus salários através de dissídios coletivos com índices diferentes do praticado pelos demais servidores do Estado lotados em secretarias e autarquias.
Durante a reunião, os representantes dos funcionários da Emater acenaram com uma proposta de negociação salarial. Os funcionários abririam mão do dissídio coletivo deste ano e do ano que vem, além de aceitarem um parcelamento no pagamento de cerca de R$ 20 milhões relativos a dissídios dos dois últimos anos não cumpridos pelo governo. Em troca, o governo arquivaria o projeto.
Ontem Requião rejeitou enfaticamente a proposta. O governador ameaçou deixar a Emater ir a falência caso os deputados rejeitem o projeto de lei. ''Simplesmente determino a suspensão dos repasses à Emater e passo a apostar no Iapar para estimular a agricultura paranaense. A Emater teria que penhorar seu prédio para honrar sua folha salarial. O que ocorre hoje é que a Emater é uma fábrica de ações trabalhistas; são mais de 1,7 mil ações contra o Estado. A autarquização vai regularizar os salários e acabar com essa situação'', afirmou Requião.
Além da mensagem da Emater, outros dois projetos devem movimentar a Assembléia na semana que vem. O procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, apresentou a Brandão um estudo defendendo a aprovação do Decreto Legislativo que anula o pacto de acionistas da Sanepar assinado durante o governo Jaime Lerner (PSB). Brandão afirmou que irá estudar o assunto, mas pode colocá-lo em votação a partir da próxima segunda-feira. Outra mensagem que deve ser votada é o novo Plano de Carreira, Cargos e Salários dos professores estaduais, que será apreciado hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).


