O governador Jaime Lerner (PFL) determinou ontem o afastamento do reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, acusado de irregularidades na administração. O secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, cumpriu a ordem do governador e solicitou ao Conselho Universitário da UEL que apresente imediatamente uma lista tríplice de nomes (três reitores, com seus respectivos vices) para ocupar por 120 dias os cargos de reitor e vice-reitor da instituição.

Lerner comunicou sua posição a integrantes do primeiro escalão do Palácio Iguaçu no final da tarde de anteontem, quando voltava de Brasília. A decisão, tornada pública apenas ontem, antecipa a saída de Testa em dez meses. Seu mandato acabaria em junho do próximo ano.

Agora, o conselho terá que agilizar o processo sucessório, convocando novas eleições para reitor e vice, como prevêem as diretrizes da universidade. A expectativa é que as eleições ocorram entre o final de novembro e o início de dezembro.

De acordo com Wahrhaftig, a decisão de Lerner foi tomada após analisar cuidadosamente todo o processo que se desenrola na UEL. ''A conclusão do governador foi que a crise não pode continuar por mais tempo e que é preciso dar uma resposta urgente à comunidade universitária de Londrina e a toda sociedade paranaense'', declarou.

''Ainda não há conclusão por parte do processo administrativo que apura as denúncias, mas é notório que instalou-se uma crise institucional muito séria na universidade'', avaliou o secretário. ''Optamos por solucionar essa crise de forma sensata'', emendou o secretário.

No último dia 8, durante reunião do conselho, Testa havia sido afastado temporariamente do cargo e para seu lugar foi escolhido o professor Pedro Gordan. A decisão foi tomada depois que os conselheiros aprovaram o relatório da comissão de investigação, que apontou 16 indícios de irregularidades que teriam sido cometidas pela administração da UEL, como superfaturamento de obras, nepotismo e despesas irregulares com viagens.

Anteontem, Wahrhaftig havia dito que o governo não poderia tomar uma atitude ''intempestiva'', porque Testa poderia recorrer à Justiça. Ele deu esta declaração após manter reuniões, em Curitiba, com integrantes do conselho e com Testa. Eles foram tentar convencer o secretário de que estavam com a razão.

O secretário chefe da Casa Civil, Alceni Guerra responsável pela imagem política do governador disse ontem que Lerner vai se posicionar assim que receber a lista tríplice. ''Respeitamos a autonomia das universidades. A decisão do Palácio Iguaçu foi baseada na posição do conselho da UEL'', declarou Guerra.

Sobre a decisão de Testa recorrer ao Judiciário, contra o afastamento, Guerra disse apenas que ''em um regime democrático é normal que as pessoas lutem por seus interesses na Justiça''.

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