O governador Jaime Lerner (PDT) admitiu ontem, pela primeira vez, que deve tomar um novo rumo partidário. ‘‘Há um mês me propus a analisar o que está acontecendo no País, e em função disso, vou tomar o meu caminho’’, afirmou o governador. Mas ele ainda mantém segredo de sua intenção de ir para o PSDB, e também não revela detalhes das negociações que tem mantido com lideranças nacionais e estaduais do partido.
Lerner argumenta que ‘‘não seria ético’’ fazer qualquer declaração sobre o PSDB, antes de ter o convite formal dos tucanos no Estado. Ele apegou diversas vezes à ética para fugir das perguntas diretas dos jornalistas. ‘‘É uma questão de ética e por isso não posso me pronunciar sobre o PSDB’’, reforçou. Mas admite que ‘‘este é um momento em que cabe aos tucanos fazerem o convite’’ para a sua filiação.
A poucas horas do início da reunião da executiva do PSDB, que discutiria a aprovação ou não do convite ao governador, Lerner parecia seguro da posição que seria tomada no encontro tucano. Ele chegou até a fazer piada de sua saída do PDT. ‘‘Antes que vocês me perguntem eu respondo: vou para o partido do povo’’, brincou Lerner, assim que foi abordado pelos jornalistas numa solenidade pela manhã, no Palácio Iguaçu.
Durante o almoço com o governador de Sergipe, Albano Franco (PSDB), o assunto também foi filiação partidária. Albano Franco disse a Lerner que o presidente Fernando Henrique está esperando a resposta dele. ‘‘O presidente está muito interessado e empenhado na vinda do Lerner’’, afirmou o governador sergipano, que ontem esteve em Curitiba conhecendo o serviço ‘‘Telecidadão’’, do governo do Estado, que pretende implantar em Sergipe.
Albano Franco comentou ainda que tanto o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, quanto o governador do Ceará, Tasso Jereissati, disseram que as conversas com o Lerner caminhavam bem, mas que o acerto final dependeria do aval do ex-governador Álvaro Dias.

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