Governador acredita na aprovação do mínimo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de abril de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) afirmou, ontem de manhã, durante reunião semanal do secretariado, que seu projeto para implantação de um salário mínimo regional no valor de R$ 437, que irá à votação no dia 3 de maio na Assembléia Legislativa, será aprovado por unanimidade dos deputados. Ninguém terá coragem de votar contra, acredita.
Se depender das centrais sindicais, o governador tem razões de sobra para tanta confiança. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, e Central Geral dos Trabalhadores (CGT) já avisaram que pretendem lotar as galerias da Casa para pressionar os deputados pela aprovação do projeto. O deputado Antonio Anibelli (PMDB) garantiu que não há riscos da lei não ser aprovada. É uma proposta que jamais a Assembléia do Paraná deixaria de aprovar, disse.
O tema de ontem da reunião do secretariado foi o salário mínimo regional proposto pelo governo. Para falar sobre o assunto, foram convidados o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos Regional Paraná (Dieese-PR) Cid Cordeiro, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Rone Barbosa, e o delegado regional do Trabalho no Paraná, Geraldo Serathiuk.
O presidente da CUT defendeu o salário mínimo regional como meio de distribuição de renda entre os trabalhadores. De acordo com ele, o projeto vai beneficiar entre 500 a 800 mil trabalhadores do Paraná, que hoje recebem até um salário mínimo e meio. Destes, 100 mil são domésticos com carteira, 90 mil pertencem a categorias não organizadas e cerca de 600 mil são informais.
O economista Cid Cordeiro mostrou que o aumento não deve trazer problemas para prefeituras e empresas. O impacto do novo valor, segundo cálculos do Dieese, é de 0,9% nas contas de pequenas e médias empresas e de 0,4% para as prefeituras. Por lei, as prefeituras não adotarão o mínimo regional, mas a expectativa é que os futuros reajustes dos servidores, assim como de outros trabalhadores, serão pressionados com essa nova realidade no Estado. Como exemplo, Cordeiro citou o caso da Prefeitura de Cambé. Segundo Cordeiro, apenas 195 trabalhadores (8% do funcionalimso) seriam beneficiados em uma negociação futura dos servidores, o que acarretaria em um aumento de R$ 17 mil nas contas do município.
Eu proponho um salário de R$ 437, que não é grande coisa e vejo essa reação toda, esses setores conservadores adormecidos da sociedade têm que acordar. O Brasil precisa de consumo, trabalhador tem que viver. Quem diz que não pode pagar para empregada, então quer uma escrava, afirmou Requião, que também aproveitou para criticar os deputados e a demora da tramitação do projeto na Assembléia. Minha mágoa é que quando mando um projeto para beneficiar empresários, ele é aprovado em 48 horas na Asembléia, mas quando é para benificiar trabalhadores, fica lá dormindo por dois ou três meses, disparou.


