Governador aceita crivo do diretório
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de maio de 1997
Leandro Donatti e Patrícia Zanin Sucursal de Curitiba e Redação 
Apesar da posição adotada ontem, em Cascavel, o governador Jaime Lerner continua disposto a se submeter ao crivo do diretório estadual do PSDB. A confidência - ainda extra-oficial - teria sido feita pelo próprio governador, na noite da última segunda-feira, durante uma reunião reservada com os tucanos favoráveis ao seu ingresso. Nem mesmo a declaração do ministro das Comunicações, Sérgio Motta - de que o presidente FHC nunca fez um convite formal para o governador ingressar no seu partido -, teriam demovido Lerner de compor os quadros do partido.
A estratégia, segundo um tucano que não quer se identificar, é manter o futuro partidário em suspense até o dia 12. Na próxima segunda-feira, o diretório tucano do Paraná se reúne, às 17 horas no Abtur Hotel, em Curitiba, para discutir questões internas do partido, que vão da expulsão do vice-presidente Teobaldo Machado e demais integrantes - por terem apoiado Cássio Taniguchi (PDT), na disputa pela prefeitura de Curitiba - até assuntos gerais.
O encaminhamento da filiação do governador estará sendo endossado pela maioria da executiva estadual, garantem os lerneristas. Machado e o deputado Beto Richa foram destacados para executar o encaminhamento. Os pró-Lerner não estão dispostos a abrir questão para discussões. Os discursos do ex-governador Álvaro Dias, do senador Osmar Dias e do deputado federal Luiz Carlos Hauly, poderiam interferir na opinião dos delegados já tidos como voto certo.
A dúvida dos lerneristas ontem era se encaminhavam um ofício requerendo a discussão da filiação. O entendimento geral é de que o segundo item do edital de convocação, baixado pelo presidente regional, Hélio Duque, no dia 22 de abril, já inclui a matéria quando diz que o diretório vai analisar e decidir sobre atos contrários e atentatórios às deliberações do diretório estadual, praticados por membros da comissão executiva estadual. O comando do diretório anulou o primeiro edital de convocação e o grupo que apóia Lerner acredita que essa mudança abriu uma brecha para discussão aberta do caso de ingresso do governador.
Interiorização O secretário de Estado da Administração e presidente do diretório municipal do PFL em Curitiba, Reinhold Stephanes Júnior, disse ontem, em Londrina, que o PFL é melhor que o PSDB tecnica e eleitoralmente. No Paraná, temos a maior bancada de deputados, um ministro, a maior bancada no Parlamento. Ele defende seu partido como a melhor opção para o governador Jaime Lerner.
Stephanes Júnior veio a Londrina fazer a abertura do curso de pós-graduação em Administração Pública e Gestão Universitária na Universidade Estadual de Londrina (UEL), ontem à noite. Hoje, ele participa de um café da manhã com empresários na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
O secretário disse que as lideranças de Curitiba são unânimes em afirmar que o melhor caminho para Lerner é o PFL. Não é só a minha opinião, mas também a do secretário de Planejamento, Rafael Greca, e do prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi. O governador fugiu da lógica ao mostrar disposição de ir para o PSDB.
Nesta semana o secretário já passou por Cascavel, Londrina e ainda hoje viaja para Maringá. A ordem do governo é para que nenhum secretário fique parado em Curitiba, confirma Stephanes Júnior, sobre essa tendência de marcar presença no interior, tão comum em épocas pré-eleitorais. Minha prioridade é a Secretaria de Administração, desconversa, apesar de não esconder a possibilidade de tentar uma vaga na Câmara dos Deputados no ano que vem. Mas tudo vai depender das acomodações partidárias. A tendência é de que o ministro (seu pai, o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes) saia para o Senado e eu para a Câmara.
Stephanes Júnior aponta pelo menos seis de seus colegas secretários como possíveis candidatos a deputado federal: Rafael Greca, do Planejamento, Armando Raggio, da Saúde, Hermas Brandão, da Agricultura, Nelson Justus, da Indústria e Comércio, Joni Varisco, do Trabalho, e Cândido Oliveira, da Segurança Pública.


