Gouvêa presta depoimento à Comissão de Ética da Câmara
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Emerson Dias<br>Especial para a Folha 
Em depoimento à Comissão de Ética Parlamentar (CEP) da Câmara de Vereadores de Londrina, o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) confirmou que pediu a outro vereador que se ausentasse do plenário para evitar votação de projeto em sessão realizada ano passado. A confirmação foi feita pelo presidente da CEP, Gerson Araújo (PSDB), que ouviu o depoimento no início da tarde de ontem.
Sem a companhia dos advogados e bastante sério, Gouvêa chegou no horário marcado pela Comissão, 15 horas, passou direto pelo saguão sem dar entrevista para a imprensa e seguiu até a sala onde iria depor. Estavam presentes o presidente e outros dois membros da CEP, os vereadores Roberto Fú (PDT) e Renato Lemes (PRB), além da procuradora jurídica da Câmara, Michele Bazzo.
A Comissão está apurando denúncia encaminhada ao Ministério Público e à Corregedoria da Câmara pelo vereador Ivo de Bassi (PTN), que declarou aos promotores e procuradores que Gouvêa tentou convencê-lo a sair da sessão realizada dia 25 de junho de 2009, quando o plenário discutia um projeto ligado ao programa Minha Casa, Minha Vida. ''Ele disse que realmente pediu para o Ivo sair sob a alegação de que ele gostaria de estudar melhor o projeto. Segundo ele (Gouvêaa), era um projeto muito importante e que não deveria ser tratada de forma tão rápida'', afirmou Araújo.
Ainda segundo o presidente, Gouvêa afirmou que fez o pedido apenas para um vereador e mais ninguém. ''Ele explicou que o Ivo era 'de casa', que tinha muita amizade com ele e que estava tranquilo em relação ao pedido. É que o quórum estava no limite e a falta de um vereador provocaria sim a impossibilidade da votação.''
O depoimento durou perto de meia hora, quando Gouvêa saiu por uma porta lateral. Segundo informação dos assessores, não foi para evitar a imprensa, mas para acompanhar a audiência pública sobre a Sa© úde, iniciada pouco antes no plenário. A reportagem acompanhou parte da audiência e não viu o vereador entre os presentes. A reportagem tentou conversar com Gouvêa quando saia do prédio da Câmara às 16h35, mas ele se recusou a falar.
Questionado se o fato de aparecer sem advogados significa que o acusado estaria contando com uma penalização branda, o presidente da CEP disse que há ''investigações diferentes envolvendo casos diferentes'' relacionado a Gouvêa. ''Claro que isso tem reflexo na Justiça e nos outros processos. Mas ele pode ser condenado aqui e ser absolvido lá ou vice-versa'', analisou Araújo.
A Comissão tem agora até o dia 26 deste mês para analisar os depoimentos e decidir sobre a ''conduta atentatória'' de Gouvêa. Caso seja culpado por obstruir votação, a penalização vai de simples advertência até suspensão por no máximo 30 dias.


