Promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) ouviram ontem depoimento do vereador Rodrigo Gouvêa (PRP), que está sendo investigado por possível promoção pessoal através de cartas enviadas a moradores de Londrina. A correspondência, impressa em papel com timbre da Câmara Municipal e com a imagem do vereador, contém a defesa de Gouvêa em relação aos processos a que responde e que causaram seu afastamento da função e sua prisão, no final do ano passado.
De acordo com a promotora Leila Voltarelli, ''o procedimento foi instaurado para apurar a compatibilidade do ato do vereador com os princípios que regem a administração pública''. Caso a irregularidade no envio da correspondência fique comprovada, configura-se um novo ato de improbidade administrativa.
''Estamos apurando se existe a possibilidade de usar a estrutura da Câmara e o papel timbrado para defesa do vereador'', afirmou a promotora. Segundo ela, o Ministério Público (MP) recebeu uma cópia dessas cartas por denúncia e instaurou a investigação. O volume de correspondência enviada aos munícipes ainda não é conhecido.
Ao final do depoimento, Gouvêa afirmou aos jornalistas que enviou as cartas dentro da cota de correspondência disponível para todos os vereadores. ''Estou tranquilo, porque é evidente que se trata de perseguição política'', disse. O advogado do vereador, Everton Menengola, acrescentou que as cartas seriam uma ''prerrogativa para se dirigir aos eleitores, prestando contas da própria situação como vereador''.
Comissão de Ética
O vereador Roberto da Farmácia (PTC) repetiu o que fez à Corregedoria da Câmara Municipal de Londrina e se resumiu a entregar à Comissão de Ética Parlamentar (CEP) uma cópia do depoimento que já havia dado ao Ministério Público. A oitiva faz parte da investigação que corre no Legislativo que apura se Gouvêa teria tentado obstruir a votação de um projeto ligado ao programa ''Minha Casa, Minha Minha Vida'', em junho do ano passado.
O presidente da CEP, vereador Gérson Araújo (PSDB), admitiu que esperava a repetição da estratégia e que o conteúdo das declarações do colega não alteram em praticamente nada o rumo dos trabalhos. No documento entregue ontem, Roberto afirma que estaria a certa distância e que teria ouvido quando Gouvêa teria pedido ao vereador Ivo de Bassi (PTN) para se ausentar do plenário. Gouvêa admite a conversa mas alega que teria feito o pedido ao colega para que o projeto pudesse ser melhor discutido posteriormente.
''Agora vamos sentar e analisar item por item, reler tudo de novo (para apresentar o relatório final)'', destacou o presidente da Comissão. Os trabalhos precisam ser encerrados até o próximo dia 26 de abril. Caso Gouvêa seja considerado culpado por obstruir a votação, a penalização vai de simples advertência até suspensão por, no máximo, 30 dias.

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