Após 23 dias de prisão preventiva no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina, o vereador afastado Rodrigo Gouvêa (PRP) deixou ontem a carceragem do local graças à decisão unânime - três votos - da 2 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). O julgamento do pedido de habeas corpus contra o decreto expedido no último dia 13 pelo juízo da 4 Vara Criminal aconteceu no início da tarde, depois de duas liminares negadas.
Gouvêa foi preso sob a acusação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de constranger o ex-chefe de gabinete Sérgio da Costa, dentro da ação em que foi denunciado também por peculato - pela suposta contratação de assessora ''fantasma''. Além dessa, o vereador afastado responde a uma mais uma ação criminal - corrupção passiva - e duas cíveis - improbidade administrativa -, além de, na próxima semana, ser denunciado pela Mesa Executiva da Câmara por suposta quebra de decoro. Uma vez admitida a denúncia em plenário, ele passa ser alvo também de uma Comissão Processante (CP).
O oficial de Justiça chegou no CDR com a soltura liberada pela Vara de Execuções Penais (VEP) já no final da tarde, às 18h30. Duas horas antes, os pais e a namorada do vereador já estavam no local. Aos poucos, uma ''plateia'' - a maioria, com camisas brancas - foi se formando, já com os quatro irmãos de Gouvêa, crianças que estavam no carro do empresário Gladiston Gouvêa, pai do vereador, e adolescentes de uma escolinha de futebol de um dos irmãos do parlamentar.
Pouco depois das 17 horas, a família teve acesso ao pátio externo do Centro - o vereador sairia às 19 horas, no banco de trás do caro, sem falar com a imprensa, devidamente acondicionado no veículo para trás dos portões. Um homem que se identificou apenas como ''amigo da família'' tentou evitar que imagens do carro na saída fossem feitas; ameaçando repórteres, iniciou um princípio de tumulto, acompanhado de um dos irmãos de Gouvêa, e acelerou na contramão da rodovia que faz frente à unidade prisional ao ter o nome perguntado.
O advogado que acompanhou a soltura de Gouvêa, Nilton Simão, negou que o tumulto provocado na saída tenha sido uma tentativa de proteção ao parlamentar ou de intimidação ao trabalho da imprensa. Simão também afirmou desconhecer se havia crianças no local - ainda que duas delas, uma, inclusive, com uniforme de colégio e adereços de bailarina, estivessem no pátio ao lado dele e dos familiares - e deu duas respostas ao ser indagado sobre a suposta estratégia: ''Não concordo em trazer crianças, mas nem as vi aqui''. Em seguida, apontou: ''Não tinha criança nenhuma, mas a família veio esperá-lo aqui, sem dúvida - qualquer um traria criança''. Sobre eventual renúncia do cliente antes da abertura de CP, foi enfático: ''Em hipótese alguma ele vai renunciar, pois é inocente''.
Para um dos advogados de Gouvêa em Curitiba, Éverton Menengola, o habeas concedido ontem ''foi a correção de uma grande ilegalidade cometida''.

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